O filósofo alemão Peter Sloterdijk evita a construção de sistemas e prefere pensar por imagens, deslocamentos e experimentos conceituais. Em contraste com a tradição alemã de arquiteturas teóricas rigorosas, sua escrita assume a forma do ensaio. O modelo visa uma reflexão aberta, como em Friedrich Nietzsche e Michel de Montaigne. O rigor volta a atenção... Continuar Lendo →
Bruno Latour: ciência, redes e a modernidade que nunca existiu
A trajetória de Bruno Latour (1947–2022) é inseparável de uma pergunta que ele nunca abandonou: como o conhecimento científico é produzido? Não no sentido filosófico clássico, que pergunta pelas condições lógicas da verdade, mas no sentido etnográfico, que pergunta o que os cientistas fazem, com quem se aliam, quais instrumentos mobilizam e por que certas... Continuar Lendo →
Bauman: Modernidade Líquida
Uma imagem simples resume a proposta intelectual de Zygmunt Bauman (1925–2017). A diferença entre um cubo de gelo e uma poça d'água ilustra a liquidez da modernidade tardia. O cubo tem forma definida, ocupa um lugar preciso, resiste ao toque. A poça se adapta a qualquer superfície, escorre por frestas, não pode ser segurada. Bauman... Continuar Lendo →
Prisma de tantas cores: uma curta passagem por Michel de Certeau
De formação jesuíta, Michel de Certeau lança um olhar único sobre a história e o "outro". Sua investigação como a alteridade transforma a consciência europeia através da oralidade dos "selvagens" desafia o domínio da escrita. Leia esta análise sobre a relação entre linguagem, cultura e a construção do conhecimento.
O gabinete de curiosidades: o quarto das maravilhas
Como a coleção de artefatos raros iluminou a imaginação moderna.
O problema dos universais
Muitas questões ainda hoje possuem esse problema em seus bastidores
Ciência e misticismo na alvorada da modernidade
Na narrativa mítica popular a ciência moderna nasceu quando o Ocidente abandonou a magia, a astrologia e a alquimia, trocando o oráculo pelo laboratório e o símbolo pela equação. Essa narrativa, porém, é retrospectiva de uma ficção que simplifica um passado muito mais ambíguo. O problema de delimitação na ciência é antigo. Os mesmos homens... Continuar Lendo →
Harriet Martineau e a sociedade observada
No século XIX, quando a sociedade europeia começava a ser descrita como objeto científico, uma pensadora inglesa formulou uma exigência metodológica decisiva: antes de explicar uma sociedade, é preciso observá-la sistematicamente — em suas instituições, em suas práticas e, sobretudo, em suas contradições. Com essa premissa, Harriet Martineau (1802–1876) tornou-se uma das fundadoras da investigação... Continuar Lendo →
Realismo do Senso Comum: a confiança na percepção e na razão cotidiana
Eis que que você entra em uma sala. Você vê uma cadeira, uma mesa, as paredes. Você desvia da cadeira para não tropeçar, talvez coloque um livro sobre a mesa. Você faz isso naturalmente, confiando que seus olhos estão lhe mostrando objetos reais e sólidos no espaço. Essa confiança básica, essa sensação de que o... Continuar Lendo →
Nísia Floresta e a civilização incompleta
No século XIX, enquanto o vocabulário político da modernidade começava a se consolidar — liberdade, progresso, direitos — uma voz brasileira formulou uma pergunta desconcertante: que valor têm essas palavras se metade da população permanece intelectualmente confinada? Com essa inquietação, Nísia Floresta Brasileira Augusta (pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto) abriu uma das intervenções mais ousadas... Continuar Lendo →
