Elizabeth Grosz

A obra de Elizabeth Grosz repensa a teoria feminista por meio das lentes da biologia, do tempo e da materialidade. Um foco central em toda a sua produção é o esforço para levar o pensamento feminista além da divisão entre mente e corpo, em direção a uma compreensão mais dinâmica do corpo como uma força volátil e geradora.

Em seus trabalhos iniciais, Grosz desenvolveu o que chamou de feminismo corpóreo. Em Volatile Bodies: Toward a Corporeal Feminism (1994), texto fundamental de sua trajetória intelectual, ela explora o corpo como algo que não constitui uma entidade biológica fixa, mas uma superfície inscrita social e psiquicamente. Grosz defende um “feminismo corpóreo” que leva a materialidade do corpo a sério, sem cair no determinismo biológico.

Nos anos 2000, sua obra passou por uma inflexão significativa em direção à biologia e à teoria evolutiva, dialogando com pensadores como Charles Darwin e Henri Bergson. Seu objetivo era construir uma ontologia da vida como algo dinâmico, imprevisível e aberto.

Em The Nick of Time: Politics, Evolution, and the Untimely (2004), Grosz defende uma teoria do devir em lugar de uma concepção estática do ser. Ela explora como o tempo e o futuro podem constituir recursos para a transformação política e desenvolve suas ideias por meio de uma leitura conjunta de Darwin, Nietzsche e Bergson.

Em Becoming Undone: Darwinian Reflections on Life, Politics and Art (2011), ela dá continuidade ao projeto de repensar a teoria feminista a partir de Darwin, especialmente de sua teoria da seleção sexual. Grosz entende a arte e a estética como fenômenos que emergem das mesmas forças dinâmicas de diferenciação e atração que impulsionam a evolução.

Uma controvérsia em torno de sua obra posterior diz respeito ao uso da teoria darwiniana como fundamento para uma ontologia feminista. Críticos questionam se ela emprega a ciência de maneira empírica ou filosófica. Uma visão considera seu projeto como melhor compreendido como um empreendimento ético e político voltado à conceitualização de um mundo no qual a mudança permanece sempre possível.

Elizabeth Grosz (nascida em 1952) é uma filósofa e teórica feminista nascida na Austrália. Sua obra concentra-se no corpo, na diferença e no mundo natural. Atualmente, é professora emérita da Duke University.

Grosz iniciou sua carreira acadêmica na Austrália. Obteve seu doutorado na University of Sydney e lecionou nessa instituição antes de se mudar para os Estados Unidos. Ocupou cargos de professora em diversas universidades de destaque, incluindo a Rutgers University e a Duke University. Em sua obra, dialoga com as teorias de Gilles Deleuze, Jacques Derrida, Michel Foucault, Luce Irigaray e Jacques Lacan para desenvolver seus próprios argumentos feministas.

SAIBA MAIS

GROSZ, Elizabeth. Volatile bodies: toward a corporeal feminism. Bloomington: Indiana University Press, 1994.

Metodologias feministas nas ciências sociais

Deixe uma resposta

Um site WordPress.com.

Acima ↑

Conteúdo licenciado para IA via RSL Standard. Uso comercial e treinamento sujeitos a tarifação.

Descubra mais sobre Ensaios e Notas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading