Conceitos básicos: racismo, discriminação e preconceito

Como alguns conceitos podem ser confusos, é importante precisar os sentidos assumidos por esses termos.

Termos fundamentais

  • O Outro ou Alteridade: distinguir um grupo como não pertencente ao nosso.
  • Minoria: não em um sentido quantitativo, mas grupo com menor poder.
  • Etnicidade: características identitárias comuns a grupo, dito étnico, que resultam em uma distinção em contraste com outros grupos.
  • Viés: perspectiva tendenciosa, intencional ou não.
  • Estereótipo: retratar todo um grupo humano sob uma caricatura de traços, comportamentos e características fixos. O estereótipo auxilia a dar uma resposta rápida ao contato inesperado com o Outro. Mas há formas perniciosas de estereótipos, principalmente quando se tornam persistentes após o contato inicial. Um exemplo disso é o perfilamento racial (racial profiling) a suspeita infundada contra minorias em contextos criminais.
  • Distância Social: ausência de interação entre grupos diferentes.
  • Preconceito: julgar antecipadamente de forma negativa o outro.
  • Discriminação: ativamente buscar prejudicar um grupo.
  • Racismo: crença na existência de raças biológicas que determinam o comportamento e valor humanos.
  • Em aspectos legais, é importante distinguir entre injúria racial, atacar a honra e dignidade humana do outro baseado em racismo, e discriminação racial, que seria tomar atitudes que impeça que o outro exerça direitos ou usar de violência contra seus direitos.
  • Só para esclarecer, apropriação cultural em antropologia descreve um dos mecanismos de transmissão cultural. O conceito não reflete conotações de racismo. O uso estereotipado de símbolos de cultura alheia é falta de sensibilidade transcultural, não apropriação cultural.

Teorias psicológicas para a causa do preconceito e discriminação

  • Teoria Realista do Conflito de Grupo: a hostilidade pode surgir como resultado de objetivos conflitantes e competição por recursos limitados. Essa teoria oferece uma explicação para os sentimentos de preconceito e discriminação.
  • Teoria de Identidade Social: inexiste um “eu pessoal”, mas os diferentes contextos sociais levam a um indivíduo a pensar, sentir e agir com base em seu nível de auto-identificação étnica, pessoal e familiar. Essa percepção internalizada do individuo baseia-se sobre o que define o “nós”. A associação de grupo cria categorização “dentro do grupo/fora do grupo” que tende a favorecer um grupo em detrimento de outro.
  • Teoria da Distinção Ótima: duas necessidades conflitantes coexistem nos indivíduos: a necessidade de pertencer ou assimilar a um grupo e a necessidade de se sentir único ou distinto. Os grupos podem cumprir essas duas necessidades, dando espaço para filiação e individualidade. Entretanto, quando um grupo interfere na identidade alheia, o indivíduo sentiria acuado em seu Ser e responderia com atitudes preconceituosas.
  • Teoria da Dominação Social: em si, as organizações sociais complexas tendem a ser estratificadas e discriminatórias. O  preconceito seria sustentado por três mecanismos em uma sociedade hierárquica: discriminação institucional, discriminação individual agregada e assimetria comportamental. A necessidade de um grupo se impor como hegemônico faz surgir distinções com critérios como idade, gênero e arbitrariedade (etnia, religião, classe ou regionalismo).

Políticas de diferenças

São vários os modos de uma sociedade lidar com a diversidade humana dentro de seu território. As mais notórias são:

  • Aculturação: a aceitação dos padrões de cultura do grupo dominante pelo grupo minoritário.
  • Assimilação: a incorporação total do grupo minoritário ao grupo hegemônico com perda de sua identidade.
  • Etnocídio: forçar um grupo étnico abandonar sua identidade, com táticas como a proibição de falar a língua, sequestro de crianças para educá-las na cultura dominante ou deslocamentos forçados, como nas diásporas.
  • Integração: a coexistência horizontal de grupos de diversidade na qual as diferenças são celebradas.
  • Pluralismo: regime de sociedade na qual convivem harmoniosamente ou não várias diferenças, inclusive culturais.
  • Multiculturalismo: coexistência de culturas diversas em um mesmo ambiente social.

Escala de Preconceito e Discriminação de Gordon Allport

Escala de Preconceito e Discriminação proposta pelo psicólogo Gordon Allport em 1954 (pouco depois do Holocausto judeu e bem no calor das campanhas de igualdade civis nos Estados Unidos) serve para medir a intensidade de preconceito e discriminação contra algum grupo humano. Allport apresentou sua escala junto com a Hipótese de Contato ou Teoria de Contato Intergrupo para minimizar e remediar preconceitos e discriminação entre grupos. Os meios de sanar seriam estimular a interação pessoal, buscar status igual e objetivos comuns entre os grupos, fomentar a cooperação intergrupos, ter apoio de autoridades, leis e costumes.

  • Nível 1 – Antilocução: fazer piadas ridicularizantes, usar linguagem enviesada e discurso depreciativo.
  • Nível 2 – Esquiva: evitar contatos, aumentar a distância social e não aceitar relacionamentos com o grupo minoritário.
  • Nível 3 – Discriminação: ativamente criar instituições que desfavoreça o grupo minoritário. São exemplos os regimes de apartheid e o Jim Crow laws.
  • Nível 4 – Ataque Físico: uso de violência. Agressões de skinheads neonazistas contra minorias.
  • Nível 5 – Extermínio: etnocídio e genocídio.

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