5 respostas para ‘Como contratar um antropólogo

  1. Muito bom, precisamos de trabalhos como esse de popularização da ciência com foco nas ciências sociais. Se já tem pouca gente para falar de física, química e astronomia o seu caso é do um em um milhão.

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  2. Acho que você vai gostar de um artigo que achei (em inglês) https://www.meforum.org/articles/other/why-arabs-lose-wars
    Assim, creio que uma aplicação interessante para a antropologia está justamente no meio militar.

    Anos atrás vi uma palestra de um militar britânico defendendo justamente a importância do desenvolvimento de “consciência cultural” para membros do exército, especialmente no Iraque e no Afeganistão.O que seria apenas um certo grau de competência em antropologia, não? Por exemplo, ele defendia que até os soldados em campo precisam desenvolver um nível básico para entender que a linguagem corporal de outros povos.

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    1. Obrigado pela indicação. Não conhecer os mecanismos da própria cultura é a fórmula certa para derrota. Não conhecer a cultura alheia resulta ou em genocídios ou em uma paz superficial e frágil.

      Em termos gerais, o argumento do artigo é valido. Não adianta investir pesado em armamento se não sabem como as pessoas se comportam. Há alguns problemas conceituais, como por exemplo, a visão do autor do conceito “cultura”, visivelmente baseada em Huntington, não só é tecnicamente inacurada (cultura não é confinada, uniforme ou fixa a um povo), mas problemática ao confundir relação de causalidade com correlação. O sucesso de exércitos culturalmente diversos — como os janísseros, mamelucos e a Legião Estrangeira — demonstra que a cultura das bases étnicas podem contar menos que uma cultura organizacional eficiente. A própria independência dos países árabes em relação aos otomanos resultou de vitórias em guerras travadas de grupos tribais árabes (muitos lutando entre si) armados de espadas e mosquetes contra um das maiores e bem mais treinadas e equipadas forças armadas da época.

      Os Estados Unidos tem já uma longa tradição em investir em inteligência cultural para fins militares. Durante a Segunda Guerra, houve o notável trabalho de antropologia aplicada de Ruth Benedict e dos antropólogos Gregory Bateson e Tom Harrisson. No Iraque e Afeganistão houve o controverso Human Terrain System (https://www.foreignaffairs.com/articles/afghanistan/2016-02-04/academics-foxholes).

      O Brasil já demonstra um incipiente valorização da cultura. A Escola Superior de Guerra hoje abandonou o dogmatismo da doutrina da segurança nacional por um currículo que preza conhecer sobretudo a cultura brasileira.

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