Reflexões sobre o autodidatismo

 

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Aprender fora dos trilhos institucionais faz parte da educação de qualquer um. Certamente aprendemos mais por aqui e acolá que nos bancos da escola. Ainda que deva grande parte de minha educação a um ímpeto autodidata, não posso negligenciar o que o ensino institucionalizado proporciona. Com isso em vista, vale ponderar sobre os benefícios e limitações do autodidatismo.

Autodidatismo é componente normal do aprendizado, pois é virtualmente impossível a educação forçada. A menos que amarre e force o sujeito a submeter-se a um tratamento de condicionamento respondente como o do personagem Alex de A Laranja Mecânica, aprender requer esforço, interesse e proatividade individual. Em minha experiência ensinando idiomas pude ver isso. Tive alunos que em duas semanas já conseguiam conversar em português. Tive alunos que com um ano de estudos mal conseguiam cumprimentar em inglês e esperavam que o professor enfiasse o idioma no cérebro deles. No primeiro caso, os alunos iam além do exigido e buscavam aproveitar o máximo cada oportunidade de conversar, ler e interagir no idioma alvo. Outros, nem liam as lições e só tinham contato com o idioma durante as aulas.

A educação independente é um meio de liberar-se das limitações institucionais. O mitólogo e estudioso das religiões Joseph Campbell (1904—1987) formou-se no bacharelado e mestrado em artes liberais na Universidade Colúmbia. Porém, quando quis estudar o doutorado enfocando a singular combinação de sânscrito, arte moderna e literatura medieval, o departamento de pós-graduação não aprovou. Campbell deixou o doutorado e retirou-se para uma cabana no campo onde por cinco anos seguiu um programa rigoroso de leitura que tomava doze horas de seu dia. À parte de seus livros densos, o renomado Campbell formulou a teoria do monomito que descreve a jornada do herói arquetípico, a qual ainda guia a escrita de best-sellers e filmes hollywoodianos.

O autodidatismo supre a falta de acesso à educação. Abraham Lincoln (1809 —1865), o lenhador que nasceu e cresceu nos sertões do Meio-Oeste americano, obteve sua educação pela leitura da Bíblia, de livros religiosos, dos Commentaries on the Laws of England de Blackstone e de literatura popular. Com essas leituras tornou-se um advogado prático e depois o presidente dos Estados Unidos.

A vedação do acesso das mulheres às universidade não impediram Virginia Woolf (1882 —1941) e Marie Curie (1867 —1934)  de terem brilhantes carreiras. Do pai Sir Leslie Stephen Virignia herdou livros, uma tutela doméstica e a paixão pela educação. Woolf lia e escrevia ensaios para fixar seu aprendizado, vindo a ser umas das escritoras mais marcantes da literatura inglesa. Em seu ensaio Um quarto para si, Virginia retrata a educação que deveria ser seu direito. Se a universidade foi impedida a Woolf, Curie superou essa barreira, mas ainda assim com duras penas e autodidatismo. Curie não tinha nem dinheiro ou possibilidades de fazer faculdade na Polônia. Estudou por conta tudo o que podia e foi trabalhar de governanta em Paris. Complementando sua educação independente, tomou algumas aulas na Sorbonne. Aos 26 anos graduou-se em seu primeiro mestrado em física e em seu segundo mestrado em química no ano seguinte. Depois conseguiu seu doutorado e seria a primeira mulher a ganhar um prêmio Nobel em 1903; aliás, dois prêmios Nobel, o segundo em 1911.

Foi com dedicação exaustiva que amanuenses como Machado de Assis  (1839 —1908)  e Lima Barreto  (1881 —1922) se tornaram escritores consagrados, apesar do preconceito ferrenho contra mulatos e negros. Ambos autores encontraram sustento nessa desprestigiada e tediosa profissão de copiar e passar a limpo textos à mão enquanto liam com voracidade e tinham contato com pessoas cosmopolitas. Machado de Assis teve pouca instrução elementar. Aprendeu francês com um padeiro e sozinho o alemão e o inglês. Trabalhando em um tipografia e em uma repartição pública, além das conversas com sua culta esposa, d. Carolina, Machado de Assis galgou o sucesso como escritor. Lima Barreto, fora sua educação que chegou ao ensino médio e seu pouco sucesso em vida como escritor, teve uma trajetória semelhante a Machado, devendo sua instrução aos seus próprios esforços. Em sua mordaz sátira do Brasil, Lima Barreto critica o culto ao credencialismo em detrimento à educação. Diz sobre o ensino na Bruzundanga:

A aristocracia doutoral é constituída pelos cidadãos formados nas escolas, chamadas superiores, que-são as de medicina, as de direito e as de engenharia. Há de parecer que não existe aí nenhuma nobreza; que os cidadãos que obtêm títulos em tais escolas vão exercer uma profissão como outra qualquer. É um engano. Em outro qualquer país, isto pode se dar; na Bruzundanga, não. Lá, o cidadão que se asma de um título em uma das escolas citadas, obtém privilégios especiais, alguns constantes das leis e outros consignados nos costumes. O povo mesmo aceita esse estado de cousas e tem um respeito religioso pela sua nobreza de doutores. Uma pessoa da plebe nunca dirá que essa espécie de brâmane tem carta, diploma; dirá: tem pergaminho. Entretanto, o tal pergaminho é de um medíocre papel de Holanda.

(…)

A formatura é dispendiosa e demorada, de modo que os pobres, inteiramente pobres, isto é, sem fortuna e relações, poucas vezes podem alcança-la. Cousa curiosa! O que mete medo aos candidatos à nobreza doutoral, não são os exames da escola superior; são os exames preliminares, aqueles das matrículas que constituem o nosso curso secundário… Em geral, apesar de serem lentos e demorados, os cursos são medíocres e não constituem para os aspirantes senão uma vigília de armas para serem armados cavaleiros. O título — doutor — anteposto ao nome, tem na Bruzundanga o efeito do — dom — em terra de Espanha. (…) O nobre doutor tem prisão especial, mesmo em se tratando dos mais repugnantes crimes. Ele não pode ser preso como qualquer do povo. Os regulamentos rezam isto, apesar da Constituição, etc., etc.

Tendo crescido imensamente o número de doutores, eles, os seus pais, sogros, etc., trataram de reservar o maior número de lugares do Estado para eles. Capciosamente, os regulamentos da Bruzundanga vão conseguindo esse desideratum. (…)

De forma que os filhos dos poderosos fazem os pais desdobrar bancas de exames, pôr em certas mesas pessoas suas, conseguindo aprovar os pequenos em aritmética sem que ao menos saibam somar frações, outros em francês sem que possam traduzir o mais fácil autor. Com tais manobras, conseguem sair-se da alhada e lá vão, cinco ou seis anos depois, ocupar gordas sinecuras com a sua importância de “doutor”. Há casos tão escandalosos que, só em contá-los, metem dó. Passando assim pelo que nós chamamos preparatórios, os futuros diretores da República dos Estados Unidos da Bruzundanga acabam os cursos mais ignorantes e presunçosos do que quando para lá entraram. São esses tais que berram: “Sou formado! Está falando com um homem formado!” Ou senão quando alguém lhes diz:

— Fulano é inteligente, ilustrado… ~

Acode o homenzinho logo:

— É formado?

—Não.

—Ahn!

Raciocina ele muito bem. Em tal terra, quem não arranja um título como ele obteve o seu, deve ser muito burro, naturalmente.

Há outros, espertos e menos poderosos, que empregam o seguinte truque. Sabem, por exemplo, que, na província das Jazidas, os exames de matemática elementar são mais fáceis. Que fazem eles? Inscrevem-se nos exames de lá, partem e voltam com as certidões de aprovação. Continuam eles nessas manobras durante o curso superior. Em tal Escola são mais fáceis os exames de tais matérias. Lá vão eles para a tal escola, frequentam o ano, decoram os pontos, prestam ato e, logo aprovados, voltam correndo para a escola ou faculdade mais famosa, a fim de receberem o grau.

O ensino superior fascina todos na Bruzundanga. Os seus títulos, como sabeis, dão tantos privilégios, tantas regalias, que pobres e ricos correm para ele. Mas só são três espécies que suscitam esse entusiasmo: o de médico, o de advogado e o de engenheiro. Houve quem pensasse em torná-los mais caros, a fim de evitar a pletora de doutores. Seria um erro, pois daria o monopólio aos ricos e afastaria as verdadeiras vocações. De resto, é sabido que os lentes das escolas daquele país são todos relacionados, têm negócios com os potentados financeiros e industriais do país e quase nunca lhes reprovam os filhos. Extinguir-se as escolas seria um absurdo, pois seria entregar esse ensino a seitas religiosas, que tomariam conta dele, mantendo-lhe o prestigio na opinião e na sociedade.

(…)

Meditei muito sobre os seus problemas e creio que achei o remédio para esse mal que é o seu ensino. Vou explicar-me sucintamente. O Estado da Bruzundanga, de acordo com a sua carta constitucional, declararia livre o exercício de qualquer profissão, extinguindo todo e qualquer privilégio de diploma. Feito isso, declararia também extintas as atuais faculdades e escolas que ele mantém. Substituiria o atual ensino seriado, reminiscência da Idade Média, onde, no trivium , se misturava a gramática com a dialética e, no quadrivium, a astronomia e a geometria com a música, pelo ensino isolado de matérias, professadas pelos atuais lentes, com os seus preparadores e laboratórios.

Quem quisesse estudar medicina, frequentaria as cadeiras necessárias à especialidade a que se destinasse, evitando as disciplinas que julgasse inúteis. Aquele que tivesse vocação para engenheiro de estrada de ferro, não precisava estar perdendo tempo estudando hidráulica. Frequentaria tão- somente as cadeiras de que precisasse, tanto mais que há engenheiros que precisam saber disciplinas que até bem pouco só se exigiam dos médicos, tais como os sanitários; médicos —os higienistas — que têm de atender a dados de construção, etc.; e advogados a estudos de medicina legal. Cada qual organizaria o programa do seu curso, de acordo com a especialidade da profissão liberal que quisesse exercer, com toda a honestidade e sem as escoras de privilégio ou diploma todo poderoso.

Semelhante forma de ensino, evitando o diploma e os seus privilégios, extinguiria a nobreza doutoral; e daria aos jovens da Bruzundanga mais honestidade no estudo, mais segurança nas profissões que fossem exercer, com a força que vem da concorrência entre homens de valor e inteligência nas carreiras que seguem. Eu não suponho, não tenho a ilusão que alguém tome a sério semelhante ideia. Mas desejava bem que os da Bruzundanga a tomassem, para que mais tarde não tenham que se arrepender. A nobreza doutoral, lá, está se fazendo aos poucos irritante, e até sendo hereditária. Querem ver? Quando por lá andei, ouvi entre rapazes este curto diálogo:

— Mas T. foi reprovado?

— Foi.

— Como? Pois se é filho do doutor F.?

Um século depois, pouca coisa mudou na Bruzundanga.

Nem tudo funciona no autodidatismo

O problema que as histórias de autodidatas tendem a reportar o sucesso enquanto negligenciam as limitações e os fracassos. Há custos pessoais, financeiros, familiares e de tempo nessa atividade. O isolamento, falta de estudos dirigidos e feedback fazem o autodidata correr risco em se tornar um amador superespecializado, ou pior, aprender de forma errônea ou parcial. Além disso, há o risco de perder tempo em assuntos não tão pertinentes e ter de conviver com a certeira falta de reconhecimento.

Devido ao isolamento típico do autodidata há instâncias de uma educação capenga, enviesada em uma diminuta área de seu interesse, mas falhando estudos em outra áreas vitais. É como o caso do aficionado por fisiologia que conhece tudo sobre o funcionamento do corpo humano, mas só estudou a anatomia masculina adulta. Embora algo por analogia se aproveite, é um ignorante da fisiologia feminina, infantil ou geriátrica. Seria a distinção entre amadorismo e autodidatismo que proponho.

O amador é um autodidata. Contudo, a falta de conhecimentos basilares e acessórios do objeto de seu estudo dificultam a compreensão plena pelo amador. Uma professora de física começou a oferecer consultorias sobre essa ciência. Ainda que boa parte de seus clientes sejam engenheiros familiarizados com a física através de materiais de divulgação científica popular, faltam-lhes uma formação teórica sólida. Volta e meia aparecem com “descobertas” ou soluções mirabolantes para problemas da física. A maioria desses físicos amadores se desaponta ao saber que sua descoberta não faz sentido ou foi já desconsiderada pelos físicos acadêmicos.

Volta e meia deparo com pessoas inteligentes que aprendem sozinhas determinado assunto técnico que, por qualquer razão, seja minha área de especialidade. Às vezes a conversa é interessante, mas não dá para espremer o conhecimento que levaria bons anos de dedicação aos estudos e educá-los em meia-hora. Por essa razão, evito muitos debates.

Retomemos o aprendizado da língua como um exemplo. É tão gratificante como conversar com alguém que aprendeu português sozinho e esteja disposta a interagir nessa língua. Fazem colocações e construções criativas. Todavia, nesses casos ficam visíveis as limitações de tal isolado empreendimento. Frequentemente, cometem erros inocentes, confundem termos cruciais e dizem coisas incoerentes. As gafes, às vezes divertidas, mas frequentemente são perigosas. Seria chato (e pernóstico) bancar o corretor alheio, mas há muitos equívocos perigosos. Com premissas equivocadas, chegam às conclusões errôneas. Por esse motivo, a socialização do autodidata é vital.

Autodidatismo não precisa ser estritamente um ato isolado. No século XII o pensador árabe -andaluz Ibn Tufail escreveu O filósofo autodidata, um romance e exercício de pensamento sobre uma criança feral que cresce isolada em uma ilha e descobre sozinho pela razão as verdades sobre o universo. Longe dessa realidade (os casos documentos de crianças ferais são mais tristes que a ficção), o aprendizado é um engajamento social.

Como paliativo para o isolamento do autodidata há as propostas de unschooling ou desecolarização. Seu teórico, o educador austríaco Ivan Illich (1926 —2002) possuía algumas ideias radicais quanto à educação institucionalizada. Criticando a escolarização de massa providenciada ou supervisionada pelo Estado, Illich propôs em seu Sociedade sem escolas (1971) [Deschooling Society] a formação de redes de aprendizagem com intercâmbios de habilidades, educação com pares e um diretório de tutores e educadores profissionais.

Nas pegadas de Illich é necessário fazer uma breve distinção.  Note a diferença entre educação e escolarização como também entre credencialismo e possuir habilidades. Se educação é incorporar conhecimentos, escolarização seria cumprir formalidades institucionais. Se possuir habilidades é a capacidade de aplicar conhecimento, credencialismo seria valorizar o diploma ou título formal. Infelizmente muito de nosso sistema educacional se satisfaz na busca de escolarização e credencialismo. Quem queira buscar além de um programa pré-estabelecido de ensino deve assumir um papel de autodidata.

A socialização da educação alimenta iniciativas de aprendizado alternativo. A despreocupação com um currículo orientado pelo mercado e burocracias estatais e a visão que o aprendizado deva ser útil para a vida, resultou em experiências como a folkhögskola nos países escandinavos e germânicos; nas universités populaires francesas, os movimentos Lyceum o Chautauqua nos Estados Unidos, as escolas livres operárias. Recentemente, com o Youtube se popularizam o TED, a KhanAcademy, o CrashCourse e outros. Universidades alternativas como a 42, o Minerva Project, Universitatea Alternativă e o UnCollege prometem uma educação orientada ao gosto do estudante e às demandas do mundo presente.

Outras formas sociais como tertúlias, clubes de debates, círculos de leitura, chats em línguas estrangeiras também cumprem essa missão de balancear o ensino do autodidata. Muitos auto-proclamados autodidatas na verdade tiveram educação por meio de tutores ou foram aprendizes. A enculturação, o aprendizado social, é um método de ensino até bem estabelecido.

A integração com o aprendizado continuado com instituições, inclusive escolas e instituições livres de ensino (as que não fornecem diplomas), colaboram com o autodidata.

Infelizmente, há aqueles que por pedantismo acham que outros não têm nada a lhes ensinar. O foco exclusivo em histórias de sucesso soma-se ao desdém pela instituições formais de ensino. A estorieta é frequente: o sujeito teve uma ou outra experiência fraca na academia e considera que sabe mais que seus professores. Pode ser que sim, pois qualquer instituição haverá seu lado que não atenda às expectativas. Todavia, o ambiente, os recursos e as pessoas presentes em uma instituição formal são recursos valiosos ao autodidata. Não o contrário. Como um amigo certa vez observou: “na universidade é onde que se descobre o quanto há gente mais inteligente que você e como há gente mais burra”. Além do feedback, a simples oportunidade de interagir com outros pensamentos e acesso a biblioteca e, por vezes, a base de dados faz das universidades um ambiente promissor para o autodidata. Assim, vale a pena levar uma disciplina isolada como estudante especial ou outro regime.

O promotor do UnCollege, Dale J. Stephens, inspirado no sucesso de Bill Gates, Steve Jobs e Mark Zuckerberg — três bilionários inovadores autodidatas que não terminaram a faculdade— em seu livro com o provocante título Hacking your Education: Ditch the Lectures, Save Tens of Thousands, and Learn More Than Your Peers Ever Will  (2013) [Hackeando sua educação: abandone as aulas e economize dezenas de milhares de dinheiro e aprenda mais que seus colegas consigirão] argumenta que automotivação e empreendimento alcançam melhores resultados que uma educação universitária. A limitação dessa ideia é que autodidatismo não exclui uma educação formal universitária. Em ambos, o estudante deveriam tomar as rédeas do que aprender. Foi o que fizeram Campbell e Curie nos exemplos acima.

A universidade também serve como meio de reconhecer e validar o conhecimento adquirido pelo autodidata. No Brasil, há desde títulos pós-graduação como o de Notório Saber até exames de suficiência nos casos de extraordinário aproveitamento previstos no art. 47, § 2 da Lei de Diretrizes e Bases – Lei 9394/96, práticas que infelizmente encontram resistências de efetivação por docentes e burocratas. Em matemática, computação ou artes é mais tangível a demonstração do conhecimento do autodidata, para outros campos, torna-se mais difícil o reconhecimento.

Em países como os EUA há exames já tradicionais como o  CLEP ou o DSST que permitem obter crédito de conhecimento prévio mediante provas padronizadas. Nos países de língua inglesa ainda há avaliações por meio de portfólio, contrato de estudos independente, tutorias, aprendizado baseado em projeto ou submissão de obras originais como dissertação ou tese. Nesses países é possível obter diplomas inteiramente por esses meios, até de medicina, como o antigo e prestigiado Lambeth Degree no Reino Unido.

As motivações do autodidatismo variam, desde avançar na carreira, prestar concurso público ou hobby— todas são legítimas, mas seria prudente prestar atenção aos objetivos e aos meios. A quem busca uma credencial ou avançar na carreira, deve-se pensar além do aprendizado em meios de certificar esse conhecimento. Em termos práticos nos países de língua portuguesa tais meios são poucos. Talvez a educação a distância sirva para esse propósito nessas paragens.

Falar sobre os recursos disponíveis para o autodidata na internet requer uma postagem própria, mas vale ressaltar que a falta de instrução estruturada pode ser compensada com o uso de fichas e ementas de disciplinas de faculdades. Em inglês, o Open Syllabus Project  e o OpenCourseWare providenciam esse tipo de material. Ao meio de uma avalanche de informação esses guias dirigem a aprendizagem.

Nem todos se preocupam com credenciais. A experiência do autodidata em saciar a curiosidade e alimentar o intelecto vale o esforço. O autodidatismo deveria ser valorizado por todos. Porém, há de se ponderar as limitações do autodidatismo, a distinção entre o aprendizado e a credencial.


SAIBA MAIS

Uma visão crítica do autodidatismo:

Paul A. Kirschner & Jeroen J.G. van Merriënboer (2013) Do Learners Really Know Best? Urban Legends in Education, Educational Psychologist, 48:3, 169-183, DOI: 10.1080/00461520.2013.804395

Marguerite (2016) – filme que retrata o risco do amadorismo que correm os autodidatas.

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