Pseudo-Anglicismos

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Hoje estava voltando de São Paulo e, próximo a Campinas, vi uma placa com a inscrição “No Outlet Premium”. Fiquei encucado. Que raios seria esse “Sem Saída Prêmio”? Depois entendi que o “no” resultava da contração da preposição “em” com o artigo “o”, e não do advérbio de negação em inglês.

Já não basta que outdoor tenha sido incorporado como sinônimo de placa, embora em inglês corresponda a billboard, e que shopping tenha passado de adjetivo a substantivo, equivalente a galeria ou centro comercial, enquanto em inglês se diz shopping mall. Soma-se a isso um conjunto de termos publicitários, como o uso de fashion como adjetivo, expressões ligadas à tecnologia da informação, como pen drive, novidades cosméticas, como peeling e lifting, serviços, como disk seguido de qualquer complemento e drive-in, além de atividades como camping, footvolley, cooper e fitness. Em muitos casos, sequer se trata de inglês reconhecível.

Cartazes, letreiros, nomes e marcas destinados ao público deveriam empregar o vernáculo. Qual é a graça desses pseudoanglicismos?

Vivemos uma intensa troca cultural, e o uso de estrangeirismos se impõe em alguma medida. Ainda assim, a criação de neologismos inexistentes na língua de origem favorece o ridículo e expõe desconhecimento da língua materna, além de certa falta de autoestima linguística.

Longe de qualquer purismo, no discurso privado e cotidiano uso uma fala que mistura registros e origens. Em contextos públicos, orais ou escritos, procuro empregar o padrão. Não custaria nada aos responsáveis por cartazes caprichar um pouco mais.

Para concluir, vi outro dia a placa de um consultório odontológico com a inscrição “Consultório White Dent”. A expressão sugere “amassado branco”, já que “dente”, em inglês, é tooth, enquanto dent significa amassado.

Atualizado em 14 de abril de 2026.

Leonardo Marcondes Alves é pesquisador multidisciplinar.


Como citar esse texto no formato ABNT:

  • Citação com autor incluído no texto: Alves (2009)
  • Citação com autor não incluído no texto: (ALVES, 2009)

Na referência:

ALVES, Leonardo Marcondes. Pseudo-anglicismos. Ensaios e Notas, 2009. Disponível em: https://ensaiosenotas.com/2009/12/24/pseudo-anglicismos/. Acesso em: 14 abr. 2026.

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