O conjunto dos movimentos de vanguarda entre o final do século XIX e as primeiras décadas do XX marca uma ruptura radical com a tradição acadêmica. Esses movimentos exploraram novas formas, materiais e conceitos. Frequentemente, o Impressionismo é visto como precursor, apesar de laços com a representação, enquanto Fauvismo inicia o século XX propriamente dito.

Impressionismo (c. 1860s–1880s)
Primeira grande quebra de regras acadêmicas de acabamento e temas. Pinceladas soltas e rápidas, ênfase na luz mutável (en plein air), sujeitos cotidianos (lazer, paisagens, cafés), mistura óptica de cores. Exponentes principais: Claude Monet, Pierre-Auguste Renoir, Edgar Degas, Camille Pissarro, Berthe Morisot. Obras chave: Impression, Sunrise (Monet, 1872, nome do movimento), Luncheon of the Boating Party (Renoir, 1881), The Dance Class (Degas, 1874).
Pós-Impressionismo (c. 1880s–1905)
Rejeição à espontaneidade impressionista, buscando estrutura, simbolismo e emoção. Cores vivas, tinta espessa, pinceladas marcadas, distorção para expressão, formas geométricas incipientes. Exponentes: Paul Cézanne, Vincent van Gogh, Paul Gauguin, Georges Seurat, Henri de Toulouse-Lautrec. Obras: A Sunday Afternoon on the Island of La Grande Jatte (Seurat, 1886, pontilhismo), The Starry Night (Van Gogh, 1889), séries Mont Sainte-Victoire (Cézanne, c. 1890s, ponte ao Cubismo).
Simbolismo (c. 1880s–1890s)
Reação ao Realismo/Naturalismo, focado em temas espirituais, místicos e imaginários via metáforas. Subjetividade, sonhos, mitologia; cores sintéticas, temas evocativos/decadentes/eróticos. Exponentes: Gustave Moreau, Odilon Redon, Pierre Puvis de Chavannes; associados: Edvard Munch, Gustav Klimt. Obras: The Scream (Munch, 1893), The Cyclops (Redon, c. 1914), The Apparition (Moreau, 1876).
Fauvismo (c. 1904–1908)
Primeiro grande avant-garde do século XX (“feras selvagens”). Cores ousadas/não naturalistas, formas simplificadas, composição plana, expressão emocional sobre realismo, temas alegres/decoratorios. Exponentes: Henri Matisse, André Derain, Maurice de Vlaminck, Raoul Dufy. Obras: Woman with a Hat (Matisse, 1905), Charing Cross Bridge (Derain, 1906), The Joy of Life (Matisse, 1906).
Expressionismo (c. 1905–1925, alemão)
Ênfase em emoção crua, distorção subjetiva, ansiedade/alienação/crises espirituais. Formas deformadas, cores chocantes, primitivismo, crítica psicológica/social. Grupos: Die Brücke (Ernst Ludwig Kirchner, Emil Nolde); Der Blaue Reiter (Wassily Kandinsky, Franz Marc, August Macke). Obras: Street, Berlin (Kirchner, 1913), Composition VII (Kandinsky, 1913, rumo à abstração).
Cubismo (c. 1907–1914)
Sistema visual revolucionário pós-Renascimento, rompendo o ponto de vista único. Fragmentação, múltiplas perspectivas, geometria (cubo, cone); analítico (monocromático), sintético (colagem/mídias mistas). Exponentes: Pablo Picasso, Georges Braque, Juan Gris. Obras: Les Demoiselles d’Avignon (Picasso, 1907, proto-Cubista), Houses at l’Estaque (Braque, 1908), Still Life with Chair Caning (Picasso, 1912, primeira colagem moderna).
Futurismo (c. 1909–1916, italiano)
Celebração de velocidade, tecnologia, juventude, violência, cidade industrial (ligado ao Fascismo posterior). Movimento/dinamismo, simultaneidade, linhas de força, máquinas/guerra. Exponentes: Umberto Boccioni, Giacomo Balla, Gino Severini. Obras: Unique Forms of Continuity in Space (Boccioni, 1913, escultura), Dynamism of a Dog on a Leash (Balla, 1912).
Dadaísmo (c. 1916–1924)
Anti-arte, anti-guerra, anti-burguês/racional, nascido da I Guerra Mundial. Absurdo, acaso, readymades, colagem/fotomontagem, performances. Exponentes: Marcel Duchamp, Hannah Höch, Jean Arp, Man Ray. Obras: Fountain (Duchamp, 1917, urinol “R. Mutt”), Cut with the Kitchen Knife Dada through the Last Weimar Beer-Belly Cultural Epoch of Germany (Höch, 1919).
Surrealismo (c. 1924–1940s)
Evolução dadaísta ao inconsciente, sonhos e maravilhoso (influência freudiana). Automatismo, cenas ilógicas/oníricas; verístico (Dalí) ou abstrato (Miró). Exponentes: André Breton, Salvador Dalí, René Magritte, Max Ernst, Joan Miró. Obras: The Persistence of Memory (Dalí, 1931, relógios derretendo), The Treachery of Images (Magritte, 1929, “isto não é um cachimbo”).
Construtivismo (c. 1915–1930s, russo)
Rejeita “arte pela arte”; ferramenta para revolução social/produção industrial. Abstração geométrica, materiais modernos (vidro/aço), design utilitário. Exponentes: Vladimir Tatlin, Alexander Rodchenko, El Lissitzky. Obras: Monument to the Third International (Tatlin, 1919-20, torre espiral não construída), Beat the Whites with the Red Wedge (Lissitzky, 1919, pôster), Spatial Construction No. 12 (Rodchenko, c. 1920, escultura cinética).
De Stijl (Neoplasticismo, c. 1917–1931, holandês)
Harmonia universal via redução: linhas retas horizontais/verticais, cores primárias (vermelho/azul/amarelo) + preto/branco/cinza. Retângulos assimétricos, integração arte/vida. Exponentes: Piet Mondrian, Theo van Doesburg, Gerrit Rietveld. Obras: Composition with Red, Blue, and Yellow (Mondrian, 1930), Schröder House (Rietveld, 1924, arquitetura plena De Stijl).

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