A mente humana, quando submetida às mesmas pressões ambientais e sociais, tende a encontrar as mesmas saídas, mesmo em continentes diferentes. É como se a história da humanidade fosse um imenso roteiro escrito em paralelo, sem que um autor soubesse o que o outro estava rascunhando. Segue uma lista de invenções independentes que provam a engenhosidade humana compartilhada.
Michel de Certeau: A poética do cotidiano
Michel de Certeau (1924-1986) foi o pensador das dinâmicas complexas entre poder, cultura e cotidiano. Historiador da terceira escola de Annalaes, filósofo, teólogo jesuíta e cofundador da Escola Freudiana de Paris, de Certeau navegou pela interdisciplinariedade e uma curiosidade insaciável pela alteridade. Para de Certeau, compreender o cotidiano era compreender a própria essência da inventividade... Continuar Lendo →
Modelos de Estado de Bem-Estar Social
Em sua obra de 1990, "Os Três Mundos do Capitalismo de Bem-Estar Social" (The Three Worlds of Welfare Capitalism), o sociólogo dinamarquês Gøsta Esping-Andersen apresenta uma análise comparativa que redefiniu o estudo dos Estados de bem-estar social nas sociedades capitalistas avançadas. A tese central do livro é que, longe de serem monolíticos, os Estados de... Continuar Lendo →
Ciência e misticismo na alvorada da modernidade
Na narrativa mítica popular a ciência moderna nasceu quando o Ocidente abandonou a magia, a astrologia e a alquimia, trocando o oráculo pelo laboratório e o símbolo pela equação. Essa narrativa, porém, é retrospectiva de uma ficção que simplifica um passado muito mais ambíguo. O problema de delimitação na ciência é antigo. Os mesmos homens... Continuar Lendo →
Simetrias que escaparam: de Galois às partículas elementares
Na noite de 30 de maio de 1832, em um quarto modesto nos arredores de Paris, um jovem de 20 anos escrevia como se tentasse ultrapassar o próprio amanhecer. Ferido, febril, convencido de que morreria em um duelo marcado para as primeiras horas do dia seguinte, Évariste Galois rabiscava páginas e mais páginas de matemática.... Continuar Lendo →
Nísia Floresta e a civilização incompleta
No século XIX, enquanto o vocabulário político da modernidade começava a se consolidar — liberdade, progresso, direitos — uma voz brasileira formulou uma pergunta desconcertante: que valor têm essas palavras se metade da população permanece intelectualmente confinada? Com essa inquietação, Nísia Floresta Brasileira Augusta (pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto) abriu uma das intervenções mais ousadas... Continuar Lendo →
Voltaire: Cândido ou o Otimismo
O otimismo e a ingenuidade abusam dos limites nessa novela picaresca.
Louis Bonaparte e os camponeses
O papel político dos camponeses nos processos eleitorais.
La Boétie: Discurso sobre a servidão voluntária
Como o hábito, a covardia e o consentimento nos submete à servidão.
Montaigne, humanismo e ensaio
Bem-sucedido em sua carreira, rico, culto, tolerante e proprietário de um chateau idílico no sul da França, Montaigne encontrou o balanço entre respeito às diferenças e a universalidade da natureza humana. Apesar da sua invejável erudição (e ser uma das últimas pessoas notórias a ter o latim como primeira língua), valorizava mais a inquirição livre que as... Continuar Lendo →
