Louis Dumond

Há pensadores que constroem sistemas; outros, mais raros, constroem contrastes. Louis Dumont (1911–1998) pertence decididamente à segunda espécie. Seu projeto intelectual não consistiu em explicar o mundo moderno, mas em torná-lo estranho. Foi como se, para compreendermos o ar que respiramos, fosse preciso primeiro aprender a viver debaixo d’água. Seu percurso biográfico já parece uma... Continuar Lendo →

Dilthey: hermenêutica e as ciências do espírito

Wilhelm Dilthey esclarecia o próprio fundamento do conhecimento histórico. Seu problema era metodológico e filosófico ao mesmo tempo. Queria determinar como as ciências voltadas para a vida humana poderiam alcançar validade sem imitar o modelo explicativo das ciências naturais. Dilthey nasceu em Biebrich, filho de um pastor reformado. Estudou teologia em Universidade de Heidelberg e... Continuar Lendo →

Stendhal: amor e sociedade

Stendhal, pseudônimo de Marie-Henri Beyle, ocupa uma posição singular na literatura do século XIX. Sua obra combina análise psicológica rigorosa com observação social aguda, como se cada personagem fosse ao mesmo tempo indivíduo e sintoma. Em sua época, passou quase despercebido. Hoje, figura como um dos grandes arquitetos do romance moderno, sobretudo pela maneira como... Continuar Lendo →

Frantz Fanon

Frantz Fanon (1925–1961) foi uma das vozes mais potentes do pensamento anticolonial do século XX. Nascido na Martinica, então colônia francesa no Caribe, formou-se em medicina e psiquiatria na França, mas seu impacto transcendeu amplamente esses campos, estendendo-se à filosofia, à política e à crítica cultural. Enfretou -- intelectual e experiencialmente -- o racismo e... Continuar Lendo →

A Filosofia da Ação de Maurice Blondel

A pessoa decide agir com clareza, escolhe um caminho, executa tarefas e, ao final, percebe que o resultado não esgota aquilo que motivou o gesto inicial. Algo permanece em aberto. A ação se cumpre, mas a intenção que a moveu continua a exigir mais. Essa experiência comum oferece um ponto de entrada para compreender o... Continuar Lendo →

Huntington e as civilizações em conflito

Samuel Phillips Huntington (Nova Iorque, 1927–Martha's Vineyard, 2008) foi um cientista político norte-americano. Seu trabalho concentrou-se no desenvolvimento político, conflito entre civilizações e identidade nacional. Suas teorias, embora controversas, permanecem amplamente debatidas nas relações internacionais e na política comparada. Com uma longa e distinta carreira na Universidade Harvard, onde lecionou por mais de cinquenta anos,... Continuar Lendo →

Edmund Leach: a estrutura como processo e a crítica do equilíbrio

A antropologia do século XX produziu sistemas vastos e, simultaneamente, as críticas que os desestabilizaram. Edmund Leach (1910–1989) pertence ao segundo movimento. Sua obra insiste em que modelos ordenados raramente coincidem com a vida social observável. Para situar sua posição, convém colocá-lo ao lado de Louis Dumont. Enquanto Dumont buscou arquiteturas ideológicas coerentes (como o... Continuar Lendo →

Ernst Cassirer: criar significado mediante os símbolos

Ernst Cassirer (1874–1945) encontrou nos símbolos a substância que nos faz humanos. Neokantiano de formação e atento a um horizonte amplo, ao refinar a crítica da razão pura ou da razão prática formulou uma filosofia da cultura que redefiniu o estatuto do ser humano. Em vez de homo sapiens ou animal rationale, Cassirer apresentou o... Continuar Lendo →

Sinopse das obras de Jean-Jacques Rousseau

O genebrino de origem modesta Jean-Jacques Rousseau (1712–1778), veio a ser um dos autores mais inquietos do século XVIII. Filósofo, escritor, compositor e pedagogo, expressou tensões centrais do Iluminismo ao criticar o progresso das ciências e das artes, valorizar o sentimento sobre a razão fria, defender a soberania popular e antecipar o espírito romântico. Sua... Continuar Lendo →

Sorel: Reflexões sobre a violência

Reflexões sobre a violência (1908), de Georges Sorel, obra da teoria sindicalista revolucionária, argumenta sobre o papel criativo e moral do mito e da violência na transformação histórica. Georges Sorel (1847–1922) foi um filósofo e pensador social francês. Suas teorias sobre o papel do mito e da violência na mudança política, desafiaram tanto ao socialismo... Continuar Lendo →

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