Um panorama enxuto sobre os paradigmas de pesquisa em ciências sociais. Para uma lista mais detalhada, consulte Paradigmas em ciências sociais
| Dimensão / elemento | Paradigma positivista / empírico-analítico | Paradigma interpretativo / hermenêutico | Paradigma crítico / sócio-crítico |
| Ontologia | A realidade é objetiva e singular; os fatos sociais assemelham-se a fatos naturais. | A realidade social é subjetiva, plural e construída. | A realidade é histórica e moldada por estruturas de poder; há estruturas opressivas sob a aparência superficial. |
| Epistemologia | O pesquisador pode e deve manter-se neutro; o conhecimento deve ser isento de valores (value-free) | O pesquisador não pode ser totalmente externo ao objeto de estudo; a compreensão (Verstehen) substitui a explicação | O conhecimento não pode ser neutro; a função da teoria é revelar a ideologia e as relações de poder |
| Metodologia | Lógica dedutiva, centrada no teste de hipóteses, buscando a explicação causal e a generalização. Ferramentas típicas: pesquisas de opinião (surveys), experimentos e entrevistas estruturadas | Lógica indutiva, sem teste de hipóteses. Captação de significados por meio de observação participante, entrevistas em profundidade e histórias de vida. | A pesquisa é práxis; o objetivo é a conscientização e a libertação. O pesquisador atua como participante, e não como mero espectador |
| Objetivo | Explicar e prever | Compreender e interpretar | Emancipar e transformar |
| Origens e fundamentos | Raízes na tradição de Comte e Durkheim: a sociedade pode ser estudada “cientificamente” e existem regularidades descobríveis | O significado da ação humana não pode ser apenas “observado” de fora, mas deve ser “compreendido” de dentro | Influenciado pela Escola de Frankfurt e pela tradição marxiana; base epistemológica o “interesse emancipatório” de Habermas |
