Nanook, o esquimó

NANOOK of the North. Direção e produção de Robert J. Flaherty. Estados Unidos. 1922. (79 min.), P&B.

O DIRETOR

O diretor e produtor norte-americano Robert J. Flaherty (1884 –  1951)  foi pioneiro na criação dos gêneros documentário, reality show, filme etnográfico e etnoficção e além de inspirar a subdisciplina da antropologia visual.

Trabalhando como cartógrafo na construção de uma estrada de ferro no norte do Canadá, Flaterty ganhou equipamentos de filmagem de seu patrão para filmar o que quisesse. Seu primeiro filme feito na costa da Baía de Hudson em 1913 pegou fogo acidentalmente.

Estimulado pelo sucesso, Flaherty  tomou gosto por filmar povos “exóticos”. Além de Nanook, filmou Moana sobre habitantes do Pacífico, Men of Aran registrando ilhéus irlandeses, The Louisiana Story sobre a construção de um oleoduto em uma comunidade do pântano.

O ENREDO

Feito com cenas sem relações entre si, não há uma sequência narrativa – exceto a transição do verão ao inverno. Flaherty retrata etnograficamente o cotidiano de uma família inuit. A família aparece remando o caiaque. O pai, Nanook, é um sorridente caçador com a cara queimada com o sol ártico. A alegre esposa e os filhos pequenos compõem a pequenina sociedade na imensidão das costas ermas da Baía de Hudson, ao norte do Quebec.

A família aparece mexendo com as focas. Nanook constrói um iglu,  visita uma feitoria onde se espanta com um fonógrafo e pesca em um banco de gelo flutuante.

O IMPACTO

O documentário foi um sucesso de bilheteria. O clima de aventura e o exoticismo de um povo tão distante atiçou a curiosidade do público nova iorquino e depois das principais salas de cinema existentes no mundo.

A novidade também foi a edição, feita pelo próprio Flaherty. A aparente sucessão de cenas desconexas gera um épico: é o homem em movimento, é o homem contra as intempéries da natureza. (Na realidade, a natureza ganha: Nanook morreu de fome pouco tempo depois).

Embora vendido como um “autêntico” retrato da vida no Ártico, Flaherty instrui a família de Nanook como atuar. O iglu teve que ser aumentado para caber a câmera. Várias cenas foram repetidas para chegar à tomada ideal.

Restaurado na década de 1970, Nanook, o esquimó entrou no cânone do cinema e quase um século depois mantém seu apelo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

About leonardomalves