A cabeça no lugar: mecanismos de defesa

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Lidar com a realidade fria e crua é passível de deixar a própria integridade psíquica em frangalhos. Mas há tempos já era percebido que os próprios seres humanos desenvolvem meios de moldar e digerir situações desagradáveis. Aristóteles em sua Poética esboçou os resultados psicológicos do teatro, que mimetizam os processos de enfrentamento do mundo.

Freud com psicanálise delineou o funcionamento dessas estratégias. Sua filha, Anna Freud (1895 -1982) em “O Ego e os Mecanismos de Defesa” (1946) sistematizou os processos não observáveis de pensar, sentir e agir que as pessoas utilizam para evitar ou reduzir o medo. Para os psicanalistas esses mecanismos de defesa ocorrem largamente de forma inconsciente. Segundo ambos os Freud e o Operationalised Psychodynamic Diagnostics (OPD) os principais mecanismos de defesa e alguns exemplos seguem abaixo.

1. Repressão: ocultação dos impulsos para o inconsciente. É esconder o excesso de roupa suja no armário.

2. Formação reativa: comportamento exagerado oposto ao impulso inconsciente. Seria o caso do racista que grita aos ventos de seu amor por minorias.

3. Projeção: atribuir sentimentos ou pensamentos indesejáveis a outras pessoas. Típico do corrupto que acha que os outros são os corruptos.

4. Regressão: retorno às fases anteriores do desenvolvimento psicológico para evadir-se do desconforto do presente. A nostalgia patológica de peter-pans que se infantilizam.

5. Racionalização: o desejo o é substituido por uma explanação fria e razoável.

6. Isolamento: separação dos sentimentos. Lembrar-se de um trauma com idiferença ou seu oposto, irritar-se profundamente ao recordar de algo desgradável.

7. Deslocamento: encontrar outro foco para redirecionar um desejo não concretizado. Gritar debaixo de um travesseiro é socialmente mais aceito que gritar com o colega de trabalho.

8. Anulação: compensação de uma experiência desagradável por outra que a balanceie. Por exemplo, praticar rituais (rasgar papel, persignar-se, pedir desculpas automaticamente) após eventos indesejáveis.

9. Introjeção: assimilar características de outras pessoas ou coisas que consideram positivas. Seriam os casos de imitar um influencer, comer caviar (que não gosta) para se sentir importante.

10. Compensação: buscar refúgios em outras atividades em busca de contrabalancear um déficit. Comprar carros utilitários gigantes para compensar a baixa autoestima.

12. Sublimação: direcionar os impulsos para atividades socialmente valorizadas, como a arte, a política ou a ciência.

13. Fantasia: criações irreais para realizar um desejo frustrado. Simulações heroica em jogos de RPG para fugir da banalidade da vida rotineira.

14. Negação: a recusa em aceitar os fatos desagradáveis. Um exemplo seria pais de filhos com problemas de adição que se negam a admitir que seus filhos são viciados.

15. Somatização: transportar ao corpo reações psíquicas. Doenças sem causas fisiológicas aparentes em pessoas em estado psicologicamente vulnerável.

16. Idealização: atribuir traços de perfeição ao objeto desejado. Idolatria a um líder, acreditar que outro país é uma utopia.

17. Humor: minimização das frustrações pelo uso do humor. Piadas autodeprecatórias que fazem ganhar simpatia.

18. Transferência: buscar vinculação emocional com uma pessoa que exerça influência. Pacientes que se apaixonam por seus cuidadores.

19. Expiação: realizar atos compensatórios para expiar alguma falta. Automutilações quando se sente culpado.

20. Reparação: tentativa de reorganizar uma percepção coerente de vida. O luto ou programas de doze passos.

SAIBA MAIS

FREUD, Anna. O Ego e Os Mecanismos de Defesa. Porto Alegre: ArtMed, 2006.

Ih…não deu: dissonância cognitiva

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