Estudos clássicos da psicologia

A psicologia nasceu como uma ciência experimental com a organização do laboratório de pesquisas psicologia por Wilhelm Wundt na Universidade Leipzig em 1879. Desde então, vários experimentos — quer em ambientes controlados, quer observações — consolidaram o conhecimento científico dessa disciplina. Alguns mais citados são esses que seguem.

O cão de Pavlov

Pavlov, Ivan P. (1927). Conditioned reflexes: An investigation of the physiological activity of the cerebral cortex 

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Enquanto estudava fisiologia em cachorros, o ganhador do Nobel Ivan Pavlov (1849 – 1936) notou que os canídeos salivavam ao escutar a campainha do tratador que os alimentava. Em um ambiente controlado com vários estímulos (e não uma sineta, mas um metrônomo), Pavlov treinou os cães a salivarem em resposta a estímulos, mesmo quando não havia comida. Chamou esse fenômeno de condicionamento reflexo hoje chamado também de condicionamento clássico, condicionamento pavloviano ou condicionamento respondente. A correlação entre comportamento e estímulo afetou as teorias pedagógicas, fundou o behaviorismo ou comportamentalismo e inspirou ficções como A Laranja Mecânica.

O pequeno Albert

Watson, J.B. and Rayner, R. (1920). Conditioned emotional reactionsJournal of Experimental Psychology, 3, 1, pp. 1–14.

Replicando as descobertas de Pavlov, dessa vez com humanos, John B. Watson (1878 – 1958) e a doutoranda Rosalie Rayner (1898 – 1935) incutiram fobias a um bebê de 9 meses. Chamado pelo pseudônimo Albert B.,  o bebê adquiriu pavor de animais felpudos e mesmo de uma máscara de Papai Noel, pois Watson assustava o menino a cada contato com esses estímulos. Ninguém sabe o que aconteceu com o pequeno Albert depois do experimento. O caso serviu para ilustrar a má ética e restringir experimentos com humanos.

Facilitação Social

Triplett, N. (1898). The dynamogenic factors in pacemaking and competition. American Journal of Psychology, 9, 507-533

Sabe por que quem solta a voz no chuveiro às vezes paga mico no karokê? A psicologia explica.

Em um dos primeiros estudos de psicologia social Norman Triplett (1861 – 1934)  notou que  ciclistas tinham melhores performances quando pedalando em grupo. Para testar sua ideia, reuniu um grupo de crianças e foram a uma pescaria. Triplett registrou a velocidade em que os sujeitos recolhiam a linha no molinete. Confirmou que quem estivesse sozinho tinha um desempenho menor dos que estavam em pares. Baseado no experimento de Triplett, estudos posteriores constataram que tarefas simples são facilitadas quando diante de uma audiência e que tarefas complexas são inibidas quando possui acompanhamento.

O experimento de Robbers Cave

Sherif, M., Harvey, O.J., White, B.J., Hood, W., & Sherif, C.W. (1961). Intergroup Conflict and Cooperation: The Robbers Cave Experiment. Norman, OK: The University Book Exchange. pp. 155–184.

Pegue aleatoriamente 22 escoteiros. Separe-os por uma semana em dois acampamentos no Parque Estadual de Robbers Cave no interior do Oklahoma. Deixe crescer um sentimento de solidariedade no interior de cada time, sem saber da existência do outro acampamento. Reúna-os. Faça uma gincana para disputarem prêmios-pomos-da-discórdia. Veja o climão esquentar entre os dois grupos. Por fim, integre os grupos e dê-lhes tarefas colaborativas. Note o preconceito e a agressividade entre membros dos antigos grupos dissiparem. Celebre a união dos meninos de doze anos.

Esse estudo dirigido por um time do psicólogo social Muzafer Sherif (1906 –1988) demonstrou a teoria realística do conflito, no qual a hostilidade entre grupos surge devido à competição por recursos limitados. Essa hostilidade seria alimentada pelo preconceito que emerge distinguindo “nós” dos os “outros”.

O Experimento de Obediência de Milgram

Milgram, Stanley (1963) Behavioral study of obedience. Journal of Abnormal and Social Psychology, 67, 371-78.

Stanley Milgram (1933 – 1984) testou a capacidade de as pessoas obedecerem a ordens, mesmo quando signifique em fazer o mal. Com simulação de uma máquina que dava choques elétricos em outra pessoa Milgram media até onde a obediência levava os sujeitos a praticarem o mal.

O experimento da prisão de Stanford

Haney, C., Banks, W. C., & Zimbardo, P. G. (1973). Interpersonal dynamics in a simulated prison. International Journal of Criminology and Penology, 1, 69-97.

As coisas não foram bem nesse experimento. Alunos em Stanford faziam o papel de agentes penitenciários e prisioneiros. O abuso de poder oriundo de uma simples configuração social quase que saiu do controle. Esse estudo demonstrou o perigo de haver autoridades sem prestação de contas e desmistificou que não são os inerente maus que fazem maldades, mas qualquer pessoa normais em certas situações.

O experimento de conformidade de Asch

 Asch, S.E. (1955). Opinions and social pressureScientific American, 193, 35–35.

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O quanto as pessoas ao redor de você influencia sua opinião? Em resposta, Salomon Asch (1907–1996) colocou um grupo de voluntários para indicar qual linha era maior. A maioria indicava uma linha que era visivelmente contra a evidência. Só um dos sujeitos não sabia do conluio e que acabava por concordar com os outros. Esse experimento de Asch é um alerta ao pensamento coletivo acrítico.

Experimento do João Bobo de Bandura

Bandura, A., Ross, D. & Ross, S.A. (1961). Transmission of aggression through imitation of aggressive modelsJournal of Abnormal and Social Psychology, 63, 575-82.

O psicólogo canadense Albert Bandura (n.1926) estava interessado em descobrir as motivações para a agressão. Para tal, empregou um paradigma comportamentalista em um estudo em um ambiente controlado.

Bandura separou três grupos de crianças. Fora o grupo de controle, as crianças foram expostas a cenas de agressão. As crianças que testemunharam um adulto agredir gratuitamente um  boneco inflável joão bobo. Depois, essas crianças reproduziam a violência contra o boneco.

Com esse estudo, Bandura aprimorou as teorias dos condicionamentos clássico e operante e elaborou sua teoria social do aprendizado . Nela, concluiu que os processos mediadores de condicionamento ocorrem entre estímulos e respostas e que o comportamento é aprendido do ambiente  mediante a observação.

O estudo de Bandura passou a ser um dos mais citados em psicologia e nas ciências sociais em geral, especialmente na discussão do papel da televisão em propagar a violência e na exposição das crianças às cenas de violências domésticas.

Invisibilidade Social

Costa, Fernando Braga da. Homens Invisíveis: Relatos de uma Humilhação Social. São Paulo: Editora Globo, 2004.

Enquanto fazia trabalho de campo para seu mestrado em psicologia social na USP, Fernando Braga da Costa experimentou a invisibilidade social rampante no Brasil. Vestido e trabalhando de gari na universidade, era negligenciado por colegas que não o reconhecia nesse papel.

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