Quem é quem: os filósofos de Rafael

A Scuola di Atene, afresco pintado no Palácio Apostólico do Vaticano por Rafael (1483-1520) é uma obra icônica, sendo reproduzida massivamente.

Na pintura mural de 770×500 cm, a arquitetura retratada é tipicamente renascentista, com arcos românicos, e abriga vários filósofos grego. Infelizmente Rafael não deixou uma explicação de quem é quem em sua famosa pintura. Terminada em 1511, quando Rafael tinha 27 anos, esse catálogo de pensadores contrasta com outros afrescos também temáticos da Stanza della Segnatura do Palácio Apostólico: a Disputa do Sacramento, o Parnaso, as Virtudes Cardeais e Teológicas e a Justiça.

No centro visual estão Platão — que segura o diálogo Timeu e aponta idealisticamente para o céu — e Aristóteles — que porta a Ética a Nicômaco e aponta para baixo, para o mundo tangível. No afresco, referências às Sete Artes Liberais estão espalhadas, associadas a seus expoentes. Tradicionalmente, pensa-se que Rafael utilizou modelos da iconografia medieval e modelos contemporâneos, celebridades da época, o Leonardo da Vinci no papel de Platão. Ele próprio parece servir de modelo às figuras 12, 31 e 33. Como nunca houve uma lista oficial do elenco dos filósofos, aqui segue uma delas.

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ELENCO DOS FILÓSOFOS

1. Platão (428-348 a.C.), seu lugar no centro da pintura reflete sua importância, compartilhada com seu discípulo Aristóteles, na filosofia. Defendia uma teoria das ideias e das formas em contraposição ao realismo de Aristóteles. Idealizou uma organização social em A República e apresentou suas teorias em diálogos.
2. Aristóteles (384-322 a.C.), chamado de o Estagirita pelo seu local de nascimento. Em suas notas de aula — tão complexas quanto incompletas — discorreu sobre as artes, a retórica, a política, a ética e as ciências naturais.
3. Diógenes de Sinope (c.412-323 a.C.), o controverso expoente do cinismo. Morava num barril e saia durante o dia com uma lanterna a procura de um homem honesto.
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8.  Euclides (c. 325 – c. 265 d.C.) ou Arquimedes  (287 – 212 d.C.): esse personagem está curvado sobre uma tabuinha de cera fazendo cálculos geométricos. Representa aqui a arte liberal da Geometria.
9. Cláudio Ptolomeu (c.87 – c.170 d.C.) astrônomo geocentrista influente até o Renascimento. No afresco, profeticamente, Ptolomeu está de costas ao público e diante de Estrabão/Zoroastro.
10. Protógenes (fl. IV a.C.) pintor grego que rivalizou com Apeles.
11. Estrabão ou Zoroastro : representam a geografia ou a astrologia.
12. Apeles de Cós (fl. IV a.C.) pintor grego famoso por retratar Alexandre, o Grande. No afresco, é indubitável que seja o autorretrato de Rafael. Ao seu lado está seu contemporâneo, o pintor Sodoma, representando o rival Protógenes.
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15.  Plotino (204 – 270 d.C.) neoplatonista, cuja metafísica era mística.
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28. Seria Boécio, Anaximandro ou Empédocles. Quem quer que seja, está bisbilhotando Pitágoras.
29. Pitágoras (c.570 – c.495 d.C.): matemático, místico e teórico da música. Representa a Matemática nas artes liberais
30. Discípulo de Pitágoras? Com anotações musicais. Representa a Música nas artes liberais.
31. Heráclito (c.535-c.475 a.C.): filósofo pré-socrático. Retratado de maneira contemplativa e taciturna. Propunha a doutrina do logos e da impermanência, “tudo flui”.
32. Averróis (1126-1198), comentarista árabe e difusor medieval de Aristóteles. O único pensador que não fosse da Antiguidade retratado no afresco.
33. Hipátia de Alexandria (c. 350– 415 d.C) ou a personificação do amor. Hipátia foi uma filósofa que morreu assassinada. A persoficação do amor é outra possibilidade. O modelo teria sido ou Francesco Maria della Rovere, o sobrinho do papa, ou La Fornarina, a amante de Rafael, de quem Flaubert disse: “ela era uma mulher linda. Tudo que se precisa saber sobre ela”.
34. Parmênides (c. 510 – 450 a.C) ou o matemático Nicômaco de Gerasa (c. 60- c. 120 a.C.)
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36. Zenão de Cítio (333— 263 a.C.), proponente do estoicismo.
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38. Epicuro (341–270 a.C.), expoente do atomismo e materialismo.
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44. Alcebíades (450 a.C. — 404 a.C.) ou Alexandre, o Grande (356 a.C. — 323 a.C.), dois líderes militares entusiastas da filosofia.
45. Antístenes (c. 445 a.C. —365 a.C.), iniciador da escola cínica ou Xenofonte  (c. 430 a.C. —355 a.C.), historiador e uma das fontes sobre Sócrates além de Platão.
46. Ésquines (390 a.C.— 314 a.C.): orador ateniense.
47. Sócrates (470-399 a.C.): o pai da filosofia. Ao contrário do seu discípulo Platão no centro, Sócrates aparece engajado em uma conversa com pessoas no mesmo nível.
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SAIBA MAIS

Museu do Vaticano. Scuola di Atene

 

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