O Abade Faria, do romance clássico O Conde de Monte Cristo (1844), escrito por Alexandre Dumas, foi inspirado em polímata real. O hipnólogo luso-indiano José Custódio de Faria (1756-1819)
No livro, o Abade Faria é o mentor de Edmond Dantès enquanto ambos estão injustamente presos no Castelo de If. O Abade profere essas palavras para demonstrar como a disciplina intelectual e uma biblioteca selecionada podem libertar a mente, mesmo dentro de uma cela. A lista reflete o cânone literário da elite intelectual do século XIX.
“Eu tinha quase cinco mil volumes na minha biblioteca em Roma; mas, depois de lê-los muitas vezes, descobri que com cento e cinquenta livros bem escolhidos um homem possui, senão um resumo completo de todo o conhecimento humano, pelo menos tudo o que um homem realmente precisa saber. Dediquei três anos da minha vida à leitura e ao estudo desses cento e cinquenta volumes, até que os conhecia quase de cor; de modo que, desde que estou na prisão, um mínimo esforço de memória me permite recordar seu conteúdo com a mesma facilidade como se as páginas estivessem abertas diante de mim. Eu poderia recitar na íntegra Tucídides, Xenofonte, Plutarco, Tito Lívio, Tácito, Strada, Jornandes, Dante, Montaigne, Shakespeare, Spinoza, Maquiavel e Bossuet. Menciono apenas os mais importantes.”
Autores citados pelo Abade Faria
- Tucídides: historiador grego do século V a.C., autor da História da Guerra do Peloponeso e pioneiro da historiografia científica e do realismo político.
- Xenofonte: filósofo, historiador e general grego, discípulo de Sócrates; autor de Anábase, obra que narra a épica retirada de dez mil mercenários gregos do Império Persa.
- Plutarco: biógrafo e filósofo grego do século I d.C., autor das Vidas Paralelas, onde compara as virtudes e vícios de grandes figuras gregas e romanas.
- Tito Lívio: historiador romano da era de Augusto, autor da monumental Ab Urbe Condita (História de Roma), que narra a trajetória da cidade desde sua fundação lendária.
- Tácito: senador e historiador romano, mestre da análise psicológica e política; autor de Anais e Histórias, obras que examinam a corrupção e o poder no início do Império Romano.
- Jornandes (ou Jordanes): historiador bizantino do século VI, cuja obra é a principal fonte sobre a história antiga dos Godos.
- Strada (Famiano Strada): historiador e jesuíta italiano do século XVII, autor da história das guerras nos Países Baixos.
- William Shakespeare: poeta e dramaturgo inglês, considerado o maior escritor da língua inglesa; suas peças exploram a profundidade da psique humana, abordando temas como traição, justiça e ambição.
- Dante (Dante Alighieri): o maior poeta italiano, autor de A Divina Comédia.
- Montaigne (Michel de Montaigne): filósofo francês do Renascimento, criador do gênero ensaio e mestre do ceticismo humanista.
- Spinoza (Baruch Spinoza): filósofo holandês do século XVII, um dos grandes racionalistas e pioneiros do Iluminismo.
- Machiavelli (Nicolau Maquiavel): diplomata e historiador italiano, autor de O Príncipe, pai da ciência política moderna.
- Bossuet (Jacques-Bénigne Bossuet): bispo e teólogo francês do século XVII, famoso por sua oratória e pela defesa do direito divino dos reis.

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