Albert Einstein: Cientistas Oram?

Apesar de se ocupar com gente que discutia assuntos “sérios” como a física e a guerra, Albert Einstein tinha a gentileza de responder às cartas de todos os tipos. Em uma delas, a garotinha Phyllis perguntou-lhe se cientistas oravam.

 

Einstein mantinha a mente aberta e crítica sobre muitos assuntos. Entre eles, a religião. Criado em um lar judeu secularizado, Einstein possuía uma visão pessoal elaborada – um misto de panteísmo agnóstico –  sobre Deus e religião. Certa vez disse: “Creio no Deus de Spinoza, que se revela na harmonia de tudo o que existe, não em um Deus que se preocupa com o destino e as ações da humanidade.”[1]

Phyllis frequentava a escola dominical da Igreja Riverside, uma congregação protestante progressiva em Nova Iorque afiliada aos batistas e à Igreja Unida de Cristo. Os fundadores dessa congregação foram não menos que o milionário John D.Rockefeller Jr e o pastor e ativista social Harry Emerson Fosdick que franqueou seu púlpito a Paul Tillich, Dietrich Bonhoeffer e Martin Luther King, Jr.

Estas foram as cartas trocadas entre Phyllis e Einstein:

Igreja Riverside,  19 de janeiro de 1936

Meu caro Dr. Einstein,

Apareceu a questão “cientistas oram?” em nossa classe de escola dominical. Isso começou pela questão se devíamos crer tanto na ciência e na religião. Escrevemos a cientistas e outras pessoas importantes para tentar ter nossa pergunta respondida.

Seria uma grande honra se você respondesse nossa pergunta: os cientistas oram e para quê eles oram?

Estamos na sexta série, na classe da Senhorita Ellis.

Respeitosamente, sua

Phyllis

Cinco dias depois, temos a resposta de Einstein.

24 de janeiro de 1936

Cara Phyllis,

Tentarei responder sua pergunta o mais simples que possa. Eis aqui minha resposta:

Cientistas acreditam que toda ocorrência, incluindo os assuntos dos seres humanos, deve-se às leis da natureza. Portanto, um cientista não pode estar inclinado que o curso de eventos possa ser influenciado pela natureza, ou seja, por um desejo manifestado de forma supernatural.

Entretanto, temos que admitir que nosso conhecimento real dessas forças é imperfeito,  então no fim a crença na existência de um espírito final e último reside em um tipo de fé. Tal crença permanece muito difundida mesmo com as conquistas atuais na ciência.

Mas também, qualquer pessoa que estiver seriamente envolvida na busca da ciência torna-se convencida que algum espírito está manifestado nas leis do universo, algo que é vastamente superior àquela do homem. Esse modo de buscar a ciência leva a um sentimento religioso de uma maneira especial, o qual certamente é bem diferente da religiosidade de alguém mais ingênuo.

Com saudações cordiais,

Seu,

Albert Einstein

 

[1] Telegrama ao rabino Herbert S. Goldstein 24 de abril de 1929.

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