O segredo de Abrão

To my darling little secret.

Abrão parou na poeirenta alfândega do Egito. O velho habiru caminhou com os oficiais da fronteira entre seus carneiros, camelos e asnos. Contaram as reses, os servos, as mercadorias e deram-lhe o preço da tarifa: 40 siclos de cobre.

Abrão protestou. Era um pobre pastor, vagava feito um beduíno atrás de ralos pastos. Os servos eram parentes, não escravos por ele possuídos. Nem intencionava vender nada no Egito, pois as especiarias serviam-lhe para consumo próprio. Tampouco tinha tanto dinheiro.

O chefe dos aduaneiros pensou um pouco. Quando ensaiava uma maneira de propor um negócio que ficasse bom para ambos, notou uma arca na tenda de Abrão.

— O que tem nessa arca?

Abrão ficou quieto. Pôs-se à frente da arca.

— Pois bem. Vamos cobrar seu volume como se fosse seda.

Abrão rapidamente consentiu com a extorsão. Manteve-se firme e não abriu a arca.

— Pensando melhor, há de ser jóias.

Abrão nem hesitou. Aceitou a abusiva tarifa estimada.

Desconfiados que continha algo mais valioso, os oficiais arrombaram a arca. Com uma estonteante beleza, lá estava a trêmula Sarai.

Adaptado do Talmud. Midrash Rabbah 40.5

Comentário sobre Gênesis 11,12

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