Jurista de formação, romancista por inclinação, ensaísta por vocação e diplomata por circunstância, Clodomir Viana Moog (1906-1988) atravessou o século XX como um intérprete inquieto do país. Sua trajetória combina engajamento político, produção literária e reflexão sociológica.
Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Porto Alegre em 1930. Participou da Aliança Liberal, mas seria um dos poucos ex-aliados do caudillo gaúcho a desiludir-se. Razão que participou na Revolução Constitucionalista de 1932 contra o governo de Getúlio Vargas. Foi preso e exilado no Amazonas, com anistia em 1934. Exerceu função diplomática como representante do Brasil na Organização dos Estados Americanos e na Organização das Nações Unidas. Ingressou na Academia Brasileira de Letras em 20 de setembro de 1945, ocupando a cadeira número 4, na sucessão de Alcides Maia.
A obra de Viana Moog apresenta dualidade entre ficção e ensaio. Como romancista, explora psicologia e ambiente regional. Como ensaísta e sociólogo, interpreta o Brasil por meio de comparações históricas e culturais. O livro de estreia, O ciclo do ouro negro, lançado no ano miraculoso 1936, quando as grandes interpretações do Brasil foram publicados., já revela interesse pela realidade amazônica. A projeção maior ocorreu no campo do ensaio.
Bandeirantes e pioneiros (1954) estabelece paralelo entre a colonização do Brasil e a dos Estados Unidos com o objetivo de explicar o subdesenvolvimento brasileiro em contraste com a potência americana. A tese central contrapõe o pioneiro e o bandeirante. O pioneiro, nos Estados Unidos, viria da Europa com o propósito de construir nova pátria, fixar raízes, trabalhar a terra e formar uma nação para seus descendentes. O bandeirante, no Brasil, seria movido pela busca de enriquecimento rápido, pela procura de ouro e pedras preciosas e pelo desejo de retorno a Portugal. Dessa diferença derivariam consequências históricas. Essa interpretação hoje é clichê, mas deve ser dada seu devido crédito a Viana Moog. Nos Estados Unidos, formou-se uma sociedade voltada ao trabalho, à poupança, à organização política e ao desenvolvimento capitalista. No Brasil, consolidou-se uma sociedade marcada por aventureirismo, instabilidade, personalismo e dificuldade de instituir estruturas duráveis. A crítica contemporânea aponta idealização dos Estados Unidos e simplificação da realidade brasileira, embora a obra permaneça referência na sociologia histórica comparada.
Já o romance Um rio imita o Reno (1938), trata do conflito cultural e identitário no sul do Brasil nas comunidades de imigrantes alemães e seus descendentes. O título expressa a tensão entre o mundo europeu, representado pelo Reno, e o espaço brasileiro. Em Uma interpretação da literatura brasileira (1942), o autor sistematiza sua visão sobre a formação do cânone nacional e dialoga com Eça de Queirós, objeto de biografia, e com Machado de Assis, analisado em Heróis da decadência. Escreveu ainda Novas cartas persas (1937), sátira de crítica social e política, Nós, os publicanos (1946), análise da elite e do poder no Brasil, Tóia (1962), romance regionalista, e Em busca de Lincoln (1968), biografia de Abraham Lincoln.

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