A escada de amor de Platão

A “escada do amor” era uma metáfora presente no Banquete (Symposium 210a–212a) de Platão. Sócrates, ao proferir um discurso em louvor a Eros, retomava os ensinamentos da sacerdotisa Diotima. A imagem da escada (ou scala amoris) representava a ascensão possível ao amante que iniciava seu percurso no apego físico por um corpo belo, o degrau mais baixo, até atingir a contemplação da própria Forma da Beleza.

Diotima apresentava as etapas dessa ascensão a partir dos tipos de beleza que despertavam e orientavam o desejo do amante. O ponto inicial era o fascínio por um corpo belo. O amor, compreendido como desejo daquilo que nos falta, surgia ao contemplar a beleza concreta de um indivíduo. Com o tempo, porém, o amante percebia que todos os corpos belos compartilhavam um traço comum, reconhecendo assim que sua atração não se limitava a uma figura específica. Ao atingir essa percepção, ele se libertava do apego exclusivo a um só corpo.

A etapa seguinte deslocava sua atenção para as almas belas. O amante compreendia que a beleza espiritual e moral tinha maior peso que a beleza física, e buscava o convívio com pessoas de caráter nobre, pois delas esperava aprender e se transformar. Esse movimento o conduzia ao apreço por leis e instituições capazes de promover o florescimento moral de uma comunidade. Eram estruturas criadas por almas belas, sustentáculos da ordem que possibilitava a vida virtuosa.

Depois disso, o amante era atraído pela beleza do conhecimento. Voltava-se a múltiplas formas de saber e, por fim, à compreensão filosófica, fundamento das leis justas e das instituições bem ordenadas. A metáfora ganhava profundidade quando Diotima descrevia o degrau mais alto, a contemplação da Beleza em si, a Forma do Belo, uma realidade eterna que não surgia nem desaparecia, não florescia nem fenecia. Ela existia por si mesma em unidade permanente, e todas as coisas belas participavam dela. O amante que ascendia até esse ponto experimentava a Forma da Beleza por uma espécie de visão, distinta do conhecimento comum, que dependia de palavras ou demonstrações.

Diotima afirmava a Sócrates que, se ele algum dia alcançasse o cimo da escada, já não seria enredado pelas atrações físicas dos jovens belos. Nada tornaria a vida tão plena quanto essa visão. Por ser perfeita, a Forma da Beleza inspiraria virtude perfeita em quem a contemplasse. Assim, a narrativa da escada do amor oferecia a base da noção corrente de “amor platônico”, entendida como forma de amor que não se expressa por meio de relações sexuais.

Essa descrição podia ser lida como relato de sublimação, processo em que um impulso é transformado em outro de valor considerado mais elevado. O desejo sexual por um corpo belo se convertia em anseio por compreensão filosófica e discernimento. Era como observar alguém que, ao escalar uma montanha, deixava para trás a neblina do vale e, passo a passo, alcançava um ponto em que a paisagem inteira se revelava. A beleza particular, antes suficiente para despertar o amor, tornava-se apenas o início de um percurso voltado à busca da Beleza que sustentava todas as demais.

Segue o texto integral, traduzido por mim, do original grego disponível no Perseus.


ταῦτα μὲν οὖν τὰ ἐρωτικὰ ἴσως, ὦ Σώκρατες, κἂν σὺ 210 210a μυηθείης· τὰ δὲ τέλεα καὶ ἐποπτικά, ὧν ἕνεκα καὶ ταῦτα ἔστιν, ἐάν τις ὀρθῶς μετίῃ, οὐκ οἶδʼ εἰ οἷός τʼ ἂν εἴης. ἐρῶ μὲν οὖν, ἔφη, ἐγὼ καὶ προθυμίας οὐδὲν ἀπολείψω· πειρῶ δὲ ἕπεσθαι, ἂν οἷός τε ᾖς. δεῖ γάρ, ἔφη, τὸν ὀρθῶς ἰόντα ἐπὶ τοῦτο τὸ πρᾶγμα ἄρχεσθαι μὲν νέον ὄντα ἰέναι ἐπὶ τὰ καλὰ σώματα, καὶ πρῶτον μέν, ἐὰν ὀρθῶς ἡγῆται ὁ ἡγούμενος, ἑνὸς αὐτὸν σώματος ἐρᾶν καὶ ἐνταῦθα γεννᾶν λόγους καλούς, ἔπειτα δὲ αὐτὸν κατανοῆσαι ὅτι τὸ κάλλος 210b τὸ ἐπὶ ὁτῳοῦν σώματι τῷ ἐπὶ ἑτέρῳ σώματι ἀδελφόν ἐστι, καὶ εἰ δεῖ διώκειν τὸ ἐπʼ εἴδει καλόν, πολλὴ ἄνοια μὴ οὐχ ἕν τε καὶ ταὐτὸν ἡγεῖσθαι τὸ ἐπὶ πᾶσιν τοῖς σώμασι κάλλος· τοῦτο δʼ ἐννοήσαντα καταστῆναι πάντων τῶν καλῶν σωμάτων ἐραστήν, ἑνὸς δὲ τὸ σφόδρα τοῦτο χαλάσαι καταφρονήσαντα καὶ σμικρὸν ἡγησάμενον· μετὰ δὲ ταῦτα τὸ ἐν ταῖς ψυχαῖς κάλλος τιμιώτερον ἡγήσασθαι τοῦ ἐν τῷ σώματι, ὥστε καὶ ἐὰν ἐπιεικὴς ὢν τὴν ψυχήν τις κἂν σμικρὸν ἄνθος 210c ἔχῃ, ἐξαρκεῖν αὐτῷ καὶ ἐρᾶν καὶ κήδεσθαι καὶ τίκτειν λόγους τοιούτους καὶ ζητεῖν, οἵτινες ποιήσουσι βελτίους τοὺς νέους, ἵνα ἀναγκασθῇ αὖ θεάσασθαι τὸ ἐν τοῖς ἐπιτηδεύμασι καὶ τοῖς νόμοις καλὸν καὶ τοῦτʼ ἰδεῖν ὅτι πᾶν αὐτὸ αὑτῷ συγγενές ἐστιν, ἵνα τὸ περὶ τὸ σῶμα καλὸν σμικρόν τι ἡγήσηται εἶναι· μετὰ δὲ τὰ ἐπιτηδεύματα ἐπὶ τὰς ἐπιστήμας ἀγαγεῖν, ἵνα ἴδῃ αὖ ἐπιστημῶν κάλλος, καὶ βλέπων πρὸς 210d πολὺ ἤδη τὸ καλὸν μηκέτι τὸ παρʼ ἑνί, ὥσπερ οἰκέτης, ἀγαπῶν παιδαρίου κάλλος ἢ ἀνθρώπου τινὸς ἢ ἐπιτηδεύματος ἑνός, δουλεύων φαῦλος ᾖ καὶ σμικρολόγος, ἀλλʼ ἐπὶ τὸ πολὺ πέλαγος τετραμμένος τοῦ καλοῦ καὶ θεωρῶν πολλοὺς καὶ καλοὺς λόγους καὶ μεγαλοπρεπεῖς τίκτῃ καὶ διανοήματα ἐν φιλοσοφίᾳ ἀφθόνῳ, ἕως ἂν ἐνταῦθα ῥωσθεὶς καὶ αὐξηθεὶς κατίδῃ τινὰ ἐπιστήμην μίαν τοιαύτην, ἥ ἐστι καλοῦ 210e τοιοῦδε. πειρῶ δέ μοι, ἔφη, τὸν νοῦν προσέχειν ὡς οἷόν τε μάλιστα. ὃς γὰρ ἂν μέχρι ἐνταῦθα πρὸς τὰ ἐρωτικὰ παιδαγωγηθῇ, θεώμενος ἐφεξῆς τε καὶ ὀρθῶς τὰ καλά, πρὸς τέλος ἤδη ἰὼν τῶν ἐρωτικῶν ἐξαίφνης κατόψεταί τι θαυμαστὸν τὴν φύσιν καλόν, τοῦτο ἐκεῖνο, ὦ Σώκρατες, οὗ δὴ ἕνεκεν καὶ οἱ ἔμπροσθεν πάντες πόνοι ἦσαν, πρῶτον μὲν 211 211a ἀεὶ ὂν καὶ οὔτε γιγνόμενον οὔτε ἀπολλύμενον, οὔτε αὐξανόμενον οὔτε φθίνον, ἔπειτα οὐ τῇ μὲν καλόν, τῇ δʼ αἰσχρόν, οὐδὲ τοτὲ μέν, τοτὲ δὲ οὔ, οὐδὲ πρὸς μὲν τὸ καλόν, πρὸς δὲ τὸ αἰσχρόν, οὐδʼ ἔνθα μὲν καλόν, ἔνθα δὲ αἰσχρόν, ὡς τισὶ μὲν ὂν καλόν, τισὶ δὲ αἰσχρόν· οὐδʼ αὖ φαντασθήσεται αὐτῷ τὸ καλὸν οἷον πρόσωπόν τι οὐδὲ χεῖρες οὐδὲ ἄλλο οὐδὲν ὧν σῶμα μετέχει, οὐδέ τις λόγος οὐδέ τις ἐπιστήμη, οὐδέ που ὂν ἐν ἑτέρῳ τινι, οἷον ἐν ζῴῳ ἢ ἐν γῇ ἢ ἐν οὐρανῷ 211b ἢ ἔν τῳ ἄλλῳ, ἀλλʼ αὐτὸ καθʼ αὑτὸ μεθʼ αὑτοῦ μονοειδὲς ἀεὶ ὄν, τὰ δὲ ἄλλα πάντα καλὰ ἐκείνου μετέχοντα τρόπον τινὰ τοιοῦτον, οἷον γιγνομένων τε τῶν ἄλλων καὶ ἀπολλυμένων μηδὲν ἐκεῖνο μήτε τι πλέον μήτε ἔλαττον γίγνεσθαι μηδὲ πάσχειν μηδέν. ὅταν δή τις ἀπὸ τῶνδε διὰ τὸ ὀρθῶς παιδεραστεῖν ἐπανιὼν ἐκεῖνο τὸ καλὸν ἄρχηται καθορᾶν, σχεδὸν ἄν τι ἅπτοιτο τοῦ τέλους. τοῦτο γὰρ δή ἐστι τὸ ὀρθῶς ἐπὶ 211c τὰ ἐρωτικὰ ἰέναι ἢ ὑπʼ ἄλλου ἄγεσθαι, ἀρχόμενον ἀπὸ τῶνδε τῶν καλῶν ἐκείνου ἕνεκα τοῦ καλοῦ ἀεὶ ἐπανιέναι, ὥσπερ ἐπαναβασμοῖς χρώμενον, ἀπὸ ἑνὸς ἐπὶ δύο καὶ ἀπὸ δυοῖν ἐπὶ πάντα τὰ καλὰ σώματα, καὶ ἀπὸ τῶν καλῶν σωμάτων ἐπὶ τὰ καλὰ ἐπιτηδεύματα, καὶ ἀπὸ τῶν ἐπιτηδευμάτων ἐπὶ τὰ καλὰ μαθήματα, καὶ ἀπὸ τῶν μαθημάτων ἐπʼ ἐκεῖνο τὸ μάθημα τελευτῆσαι, ὅ ἐστιν οὐκ ἄλλου ἢ αὐτοῦ ἐκείνου τοῦ καλοῦ μάθημα, καὶ γνῷ αὐτὸ τελευτῶν ὃ ἔστι 211d καλόν. ἐνταῦθα τοῦ βίου, ὦ φίλε Σώκρατες, ἔφη ἡ Μαντινικὴ ξένη, εἴπερ που ἄλλοθι, βιωτὸν ἀνθρώπῳ, θεωμένῳ αὐτὸ τὸ καλόν. ὃ ἐάν ποτε ἴδῃς, οὐ κατὰ χρυσίον τε καὶ ἐσθῆτα καὶ τοὺς καλοὺς παῖδάς τε καὶ νεανίσκους δόξει σοι εἶναι, οὓς νῦν ὁρῶν ἐκπέπληξαι καὶ ἕτοιμος εἶ καὶ σὺ καὶ ἄλλοι πολλοί, ὁρῶντες τὰ παιδικὰ καὶ συνόντες ἀεὶ αὐτοῖς, εἴ πως οἷόν τʼ ἦν, μήτʼ ἐσθίειν μήτε πίνειν, ἀλλὰ θεᾶσθαι μόνον καὶ συνεῖναι. τί δῆτα, ἔφη, οἰόμεθα, εἴ τῳ γένοιτο 211e αὐτὸ τὸ καλὸν ἰδεῖν εἰλικρινές, καθαρόν, ἄμεικτον, ἀλλὰ μὴ ἀνάπλεων σαρκῶν τε ἀνθρωπίνων καὶ χρωμάτων καὶ ἄλλης πολλῆς φλυαρίας θνητῆς, ἀλλʼ αὐτὸ τὸ θεῖον καλὸν δύναιτο μονοειδὲς κατιδεῖν; ἆρʼ οἴει, ἔφη, φαῦλον βίον 212 212a γίγνεσθαι ἐκεῖσε βλέποντος ἀνθρώπου καὶ ἐκεῖνο ᾧ δεῖ θεωμένου καὶ συνόντος αὐτῷ; ἢ οὐκ ἐνθυμῇ, ἔφη, ὅτι ἐνταῦθα αὐτῷ μοναχοῦ γενήσεται, ὁρῶντι ᾧ ὁρατὸν τὸ καλόν, τίκτειν οὐκ εἴδωλα ἀρετῆς, ἅτε οὐκ εἰδώλου ἐφαπτομένῳ, ἀλλὰ ἀληθῆ, ἅτε τοῦ ἀληθοῦς ἐφαπτομένῳ· τεκόντι δὲ ἀρετὴν ἀληθῆ καὶ θρεψαμένῳ ὑπάρχει θεοφιλεῖ γενέσθαι, καὶ εἴπέρ τῳ ἄλλῳ ἀνθρώπων ἀθανάτῳ καὶ ἐκείνῳ;  Mesmo nesses assuntos relativos ao amor, tu, Sócrates, poderias talvez ser iniciado; mas duvido que conseguisses aproximar-te dos ritos e revelações para os quais estes, para os devidamente instruídos, são apenas a entrada. Contudo, falarei deles, disse ela, e não pouparei meus melhores esforços; apenas tu, da tua parte, deves tentar ao máximo acompanhar. Aquele que desejasse proceder corretamente nessa matéria não deveria apenas começar, desde a juventude, a encontrar corpos belos. Em primeiro lugar, na verdade, se seu guia o conduzisse bem, ele deveria apaixonar-se por um corpo particular e nele gerar uma bela conversação; mas depois deveria notar como a beleza ligada a este ou àquele corpo é afim daquela que está ligada a qualquer outro, e que, se pretende seguir a beleza na forma, é tolice grosseira não considerar como uma e a mesma a beleza pertencente a todos. Assim, tendo apreendido essa verdade, deveria fazer-se amante de todos os corpos belos e afrouxar a intensidade de seu sentimento por um só, desprezando-o e considerando-o uma ninharia. Seu avanço seguinte seria atribuir maior valor à beleza das almas que à do corpo, de modo que, por mínima que fosse a graça que florescesse em qualquer alma promissora, bastaria para que ele a amasse e cuidasse dela, e para que produzisse e solicitasse aquela conversação que tenderia ao aperfeiçoamento dos jovens; e, finalmente, seria levado a contemplar a beleza tal como aparece em nossas observâncias e leis, e a observá-la toda unida por parentesco, estimando assim a beleza do corpo como algo de pouca importância. Das observâncias ele deveria ser conduzido aos ramos do conhecimento, para que também aí contemplasse um domínio da beleza e, ao olhar assim para a beleza em conjunto, escapasse da mesquinha e meticulosa servidão a um único caso, no qual teria de concentrar todo o seu cuidado, como um lacaio, na beleza de uma criança particular, ou de um homem, ou de uma única observância. Voltando-se antes para o vasto oceano do belo, poderia, pela contemplação disso, produzir em todo o seu esplendor muitos frutos belos de discurso e de meditação, em abundante colheita de filosofia; até que, com a força e crescimento ali adquiridos, discernisse um certo conhecimento único ligado a uma beleza ainda não mencionada. E aqui, peço-te, disse ela, presta-me a melhor atenção. Quando um homem tiver sido instruído até esse ponto na ciência do amor, passando de visão em visão das coisas belas, na ascensão correta e regular, subitamente lhe será revelada, quando se aproxima do término de seus tratos com o amor, uma visão maravilhosa, bela em sua natureza; e esta, Sócrates, é o objetivo final de todos aqueles trabalhos precedentes. Em primeiro lugar, ela é sempre existente e nem vem a ser nem perece, nem cresce nem mingua; depois, não é bela numa parte e feia noutra, nem é tal em certo momento e diferente em outro, nem em um aspecto bela e em outro feia, nem tão afetada pela posição a ponto de parecer bela a uns e feia a outros. Nem, novamente, o iniciado encontrará o belo apresentado a ele sob a forma de um rosto ou de mãos ou de qualquer outra parte do corpo, nem como uma descrição particular ou um fragmento de conhecimento, nem como existente algures em outra substância, como um animal, ou a terra, ou o céu, ou qualquer outra coisa; mas existindo sempre em singularidade de forma, independente por si mesma, enquanto a multidão de coisas belas participa dela de tal modo que, embora todas elas venham a ser e pereçam, ela não cresce nem diminui e não é afetada por nada. Assim, quando um homem, pelo método correto de amar rapazes, ascende a partir desses particulares e começa a discernir essa beleza, quase consegue alcançar o segredo final. Tal é o caminho correto ou indução para os assuntos do amor. Começando pelas belezas óbvias, ele deve, por causa daquela beleza suprema, subir sempre mais alto, como nos degraus de uma escada: de um para dois, e de dois para todos os corpos belos; da beleza pessoal ele prossegue para as belas observâncias; das observâncias para o belo aprendizado; e do aprendizado, por fim, para aquele estudo particular que se ocupa da beleza em si e somente dela; de modo que, ao final, chega a conhecer a própria essência da beleza. Nesse estado de vida acima de todos os outros, meu caro Sócrates, disse a mulher de Mantineia, o homem encontra verdadeiro motivo para viver, ao contemplar a beleza essencial. Esta, uma vez contemplada, superará em brilho teu ouro e tuas vestes, teus belos rapazes e jovens, cuja aparência agora tanto te assombra e faz com que tu e muitos outros, ao ver e ao conviver constantemente com vossos prediletos, estejam prontos a dispensar comida e bebida, se isso fosse de algum modo possível, apenas para olhá-los e ter sua companhia. Mas dize-me, o que aconteceria se algum de vós tivesse a fortuna de contemplar a beleza essencial inteira, pura e sem mistura; não contaminada pela carne e cor da humanidade, e muito menos pela escória mortal? O que aconteceria se pudesse contemplar a própria beleza divina, em sua forma única? Chamas de vida miserável aquela que um homem leva ao olhar desse modo, ao observar essa visão pelos meios adequados e tê-la sempre consigo? Considera apenas, disse ela, que somente ali lhe será possível, ao ver o belo por meio daquilo que o torna visível, gerar não ilusões, mas verdadeiros exemplos de virtude, já que seu contato não é com a ilusão, mas com a verdade. Assim, quando ele tiver engendrado uma virtude verdadeira e a tiver criado, está destinado a conquistar a amizade do Céu; ele, acima de todos os homens, é imortal.  

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