As mediocracias negaram sempre as virtudes, as belezas, as grandezas; deram veneno a Sócrates; o madeiro a Cristo; o punhal a César; o desterro a Dante; o cárcere a Galileu; o fogo a Bruno. E, enquanto escarneciam desses homens exemplares, esmagando-os com a sua sanha ou armando contra eles algum braço enlouquecido, ofereciam o seu servilismo a governantes imbecis ou davam o seu ombro para sustentar as mais torpes tiranias. A um preço: que estas garantissem às classes fartas a tranquilidade necessária para usufruir seus privilégios.
Ortega y Gasset: A rebelião das massas
A A Rebelião das Massas, de José Ortega y Gasset (1883–1955), apresenta um diagnóstico da modernidade centrado na tensão entre individualidade e massificação. A pergunta sobre até que ponto o sujeito permanece singular ou se dissolve em um “nós” anônimo encontra, nessa obra, uma formulação rigorosa. O texto nasce de artigos publicados no jornal El... Continuar Lendo →
