As mediocracias negaram sempre as virtudes, as belezas, as grandezas; deram veneno a Sócrates; o madeiro a Cristo; o punhal a César; o desterro a Dante; o cárcere a Galileu; o fogo a Bruno. E, enquanto escarneciam desses homens exemplares, esmagando-os com a sua sanha ou armando contra eles algum braço enlouquecido, ofereciam o seu servilismo a governantes imbecis ou davam o seu ombro para sustentar as mais torpes tiranias. A um preço: que estas garantissem às classes fartas a tranquilidade necessária para usufruir seus privilégios.
Vonnegut e Rand: além da mediocridade forçada
No meio do século XX, a ficção distópica tornou-se um laboratório intelectual para testar medos que a teoria política ainda formulava de modo incerto. Harrison Bergeron (1961), de Kurt Vonnegut, e Atlas Shrugged (1957), de Ayn Rand, pertencem a esse gênero de imaginação crítica que projeta futuros extremos para interrogar escolhas do presente. Ambos recorrem... Continuar Lendo →
