Os nibelungos

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Os nibelungos eram o povo anão que habitava em Niflheim (ou Nibelheim), um reino de névoa e escuridão. Seriam  herdeiros de um vasto tesouro de ouro e joias mágicos, também chamados de ouro do Reno, dizia-se que era guardado pelo anão Andvari (ou Alberico).

Como as sagas variam em detalhes, alguns os antigos poetas – os  escaldos –  diziam que esse povo das brumas descendiam de do lendário rei Nibelungo.

Na Saga Volsunga, o herói Sigurd adquire o ouro matando Fafnir, que matou seu próprio pai, Hreidmar, transformando-se em um dragão para proteger sua preciosidade.

Na Canção dos Nibelungos (Nibelungenlied), esse povo é identificado com os borgonheses. Os borgonhoses ou burgúndios viveram na região do Reno antes de firmarem-se na atual Borgonha. Os borgonheses, por meio de Siegfried (Sigurd), conquistam o ouro ao derrotar o dragão Fafnir e seu irmão Regin antes do início da narrativa.

Na Edda Poética (ou Antiga), os Nibelungos eram parentes de Giuki, cuja filha Gudrun havia se casado com Sigurd.

Como visto, para Wagner, em O Anel dos Nibelungos, eles são gnomos, anões ou elfos, como Mime (um paralelo de Regin) e Alberico, que havia lançado sua maldição no anel quando os deuses roubaram-lhe o tesouro.

É a versão de Wagner que apresento aqui, chamado de o Ciclo do Anel, um conjunto de quatro óperas que reinterpretam as mitologias germânica e nórdica. Embora a cronologia da ópera não coincida com a cronologia do enredo, segue um panorama narrativo.

O ouro do Reno

As três Donzelas do Reno, náidades guardadoras de um tesouro no fundo rio, são roubadas pelo nibelungo Alberico (Alberich). No entanto, o ouro não traz a felicidade almejada, mas Alberico faz um anel mágico com ele que dá poderes ao seu possuidor.

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Os gigantes construtores Fafner e Fasolt estão por concluir o novo palácio dos deuses, Valhalla. Como pagamento, Wotan (Odin) prometeu-lhes Freia, deusa da juventude e da beleza. No entanto, a esposa Fricka e outros deuses convencem a Wotan arranjar um pagamento diferente: o anel mágico de Alberigo. Wotan, acompanhado pelo deus do fogo Loge, sai em busca do anel.

Alberico escravizou outros nibelungos para minerar mais ouro e produzir novos objetos, dentre eles o elmo Tarnhelm, com poder de dar invisiblidade. Wotan e Loge enganam o vaidoso Alberico, convencendo-o a transformar-se em um sapo, então capturado. Alberico paga o preço de sua liberdade com o ouro. Wotan fica com o anel e Loge com o Tarnhelm. Alberico amaldiçoa o anel.

Na negociação com os gigantes, Freia é trocada pelos objetos apreendidos de Alberico. Em seguida, os gigantes começam a brigar pelo anel e Fafner mata Fasolt.

As valquírias

O casal de gêmeos filhos de Wotan com uma mortal, Siegmund (Sigismundo) e Sieglinde (Sigislinda) foram separados. Já adulto, Siegmund é perseguido por ajudar uma mulher a escapar de um casamento forçado. Sob o pseudônimo de Wehwalt e sem armas, encontra refúgio na cabana do casal Hunding e Sieglinde.

Sieglinde abriga o estranho, mas depois Hunding aparece. Descoberto que o estranho é o homem fugitivo, Hunding respeita as regras de hospitalidade, mas na manhã seguinte se enfretarão em um duelo.

Sieglinde prepara um sonífero para Hunding beber e conta que um homem misterioso deixou a espada Nothung em um tronco na casa. A arma somente pode ser removida por um grande herói. Siegmund consegue sacar a espada. Os dois amantes juram amor e fogem antes de Hunding despertar.

Wotan, informado sobre os gêmeos, ordena à valquíria Brunilda (Brünnhilde) que ajude Siegmund vença. Fricka, esposa ciumenta e deusa do matrimônio, interfere e exige justiça nas ações. A contragosto, Wotan ordena que Brunilda garanta a morte de Siegmund.

Brunilda conta ao casal sobre o destino de Siegmund e que Sieglinde não poderá acompanhá-lo ao Valhalla. A valquíria decide desobedecer Wotan, mas ele aparece durante o duelo e estraçalha a espada Nothung. Siegmund morre.

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Brunilda foge com Sieglinde, a qual está grávida de Siegmund. As outras valquírias temem proteger Sieglinde, mas a envia para a floresta.

Furioso (e desejoso por perdorar Brunilda), Wotan cumpre o dever punir a valquíria por sua desobediência. Brunilda torna-se mortal e adormece em uma rocha até que um homem a encontre. A valquíria protesta e Wotan concede que ela adormeça protegida por um círculo de fogo. Somente quem não tema a lança divina ultrapassará o fogo.

Siegfried

Sieglinde morre no parto de Siegfried (Sigefredo). O menino é criado isolado pelo nibelungo Mime, irmão de Alberico. Desejando capturar o anel mágico em posse do gigante Fafner, então transformado em um dragão, Mime tenta forjar uma espada com os fragmentos da Nothung. Entretanto, um Peregrino (Wotan disfarçado) explica que somente quem nunca sentiu medo consegue forjar a espada. Siegfried é induzido a produzir a espada.

Wotan e Alberico ficam nas cercanias da caverna do dragão Fafner. Siegfried mata-o e apreende o anel e o Tarnhelm, para desgoto de Alberico e Mime. Mime tenta pegar o anel, mas Siegfried mata-o. Um pássaro conta a Siegried sobre Brunilda.

Wotan intenciona destruir os deuses, pois sabe que Siegfried acumularia poder. O velho deus tenta impedir Siegried na montanha onde dorme Brunilda, mas o jovem herói destroi a lança de Wotan. Siegfried adentra o círculo de fogo e se apaixona por Brunilda, a primeira mulher que ele tinha visto.

Siegfried beija Brunilda, despertando-a. Brunilda, sabendo que seria salva por um herói, declara que o ama por sua antecipada reputação. Encerra-se essa ópera com um canto ao amor diante dos desafios.

O Crepúsculo dos Deuses

As três Nornas contam os feitos de Wotan e o destino de Valhalla e dos deuses, a serem destruídos pelo fogo no Crepúsculo dos Deuses (Götterdämmerung ou Ragnarök). Siegfried e Brunilda juram amor e o herói parte pelo reino com o cavalo de Brunilda, Grane, enquanto a valquíria retém o anel.

No palácio Gibichung, o rei Guntário (Gunther) aspira reconhecimento e seu meio-irmão Hagen sugere-lhe encontrar uma esposa e um marido para sua irmã Gutrune. Hagen enfeitiça Siegfried, fazendo-o esquecer de Brunilda e apaixonar-se por Gutrune.

A valquíria Waltraute anuncia a Brunilda que Valhalla será destruída a não ser que ela entregue o anel às Donzelas do Reno. Brunilda recusa-se a desfazer-se do presente.

Siegfried aparece transformado em Guntário e tenta forçar Brunilda a desposá-lo. Ela resiste, mas o anel não tem efeito sobre Siegfried. Capturada, é levada a Gibchung e Siegfried usa o anel.

Alberico, na verdade pai natural de Hagen, planeja recuperar o anel. Siegfried comemora o sucesso de sua missão. Retornando à sua aparência original, Brunilda reconhece seu amante. Furiosa, afirma ser noiva de Siegfried.

Siegfried envolve-se com Gutrune. Sabendo por Brunilda que Siegfried somente é vulnerável nas costas, Hagen convence Guntério a assassinar Siegfried durante uma caçada.

Na caçada Siegfried encontra as Donzelas do Reno lamentando seu tesouro perdido. Elas alertam da maldição, mas ele despreza o aviso.

Siegfried recupera sua memória e Guntério hesita em matar o herói, pelo qual tem afeição. Hagen engana e mata Siegfried pelas costas. O herói morre chamando por Brunilda.

Hagen mente a Gutrune que Siegfried morreu em um ataque de javali, mas Guntério conta a verdade. Hagen tenta apossar-se do anel e mata Guntério. Temeroso do braço de Siegfried, Hagen não pega o anel.

Brunilda prepara a pira funerária para Siegfried. Lamentando o destino e avisando os deuses, Brunilda monta seu cavalo e cavalga sobre as chamas para unir-se ao amado.

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As chamas crescem e o Reno transborda. As Donzelas do Reino recuperam o anel enquanto Hagen faz sua última tentativa de pegá-lo antes de afogar-se.

As chamas da pira destroem Valhalla, findando-se o mundo dos deuses.

O autor

Wilhelm Richard Wagner (1813- 1883) foi compositor e produtor de ópera alemão. Suas mega-produções influenciaram todo romantismo e o nacionalismo (e infelizmente o antissemitismo) alemão. O Ciclo do Anel, que leva cerca de 15 horas, é representado regularmente na cidade de Bayeruth, demandando mais de uma centena de músicos e mais de trinta cantores. Para unir essa longa e complexa obra, Wagner emprega leitmotivs — fragmentos de melodia reproduzindo emoções e temas repetidos em contextos variados.

Como mencionado, Wagner inspirou-se em diversas versões germânicas e nórdicas medievais. Há também elementos da mitologia greco-romana. Por sua vez, a obra de Wagner foi uma influência visível para Tolkien.

SAIBA MAIS

Ilustrações extraídas de Trópico: Enciclopedia Ilustrada em Côres. Volume 5. Livraria Martins, 1957.

Versão em inglês, aliterada.

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