Estamos disponível em asturleonés!

Várias postagens do Ensaios e Notas estão disponíveis em língua asturleonesa no site https://astur-leones.com/

Esta doce língua do noroeste da península ibérica possui reconhecimento público variado na Espanha e em Miranda do Douro, em Portugal, sob a designação de mirandês. Estritamente, não é uma só língua, mas um conjunto de falares asturleoneses, com mais de meio milhão de falantes.

Cudillero in Asturias, Spain Photograph by Colorful Points
Astúrias

Trata-se de uma língua romance, derivada do latim, como o português e o espanhol castelhano. Considerando que a Reconquista partiu das Astúrias, seria de se esperar que houvesse uma propagação desse idioma pela península ibérica. Contudo, as complexas políticas dos estados ibéricos levaram a privilegiar os falares do Condado Portucalense e de Castela.

Literatura em línguas minoritárias é importante por várias razões. Uma delas é superar limitações cognitivas de uma cultura monoglota. Quem pensa com categorias de uma só língua não percebe que aquilo que considera “natural” simplesmente é uma convenção social e cultural de seu grupo linguístico. Aliás, sequer o conceito de “natural” é universal entre a humanidade.

Outro motivo é garantir a existência de comunidades locais frente a Mcdonaltização do mundo. O pensador e escritor queniano Ngũgĩ’s Wa Thiong’o de expressão gikuyu descreve o dilema do autor de língua minoritária. Autor romances, peças, contos e ensaios, sabe que se empregar uma língua europeia hegemônica pode obter reconhecimento em uma audiência mais ampla. Contudo, perde muito da riqueza cultural que sua língua materna expressa. Ainda, há os problemas de alfabetização e perda linguística e cultural com a falta de literatura em línguas nativas. Ngũgĩ’s em 1992 fundou o jornal em língua gikuyu Mũtĩri e renunciou a escrever em inglês sua escrita de ficção. A variedade sociolinguística produz comunidades locais com meios de comunicação e articulação de interesses que, juntos, permitiriam uma coexistência globalmente mais ética.

É um orgulho saber que estes escritos estão em asturlonês. Desde que li um trecho de Gil Vicente em saiaguês, uma das variantes desse idioma, fiquei capturado. O asturoleonês demonstra que um idioma-constelação pode ter várias formas, cada qual com sua beleza, e ainda assim ser efetivamente capaz de comunicar.

Bem sabia Fernando Pessoa que a língua corporifica uma pátria. Nela temos liberdade de interagir com o mundo, ultrapassando as fronteiras da territorialidade nacional. Assim, a possibiliade de ver o mundo, pensar e expressar mediante uma língua é um tesouro singular a ser investido.

SAIBA MAIS

Pessoa, Fernando (Bernardo Soares). “A minha pátria é a língua portuguesa”. Livro do Desassossego.

Thiong’o, Ngugi Wa. “The Language of African Literature”. Em Aschroft, Bill et al. (org.). The Post-Colonial Studies Reader. New York : Routledge, 1995, pp. 285-290.

Considerando a proximidade com a língua portuguesa, navegue e ponha-se a pensar em asturleonés pela Wikipedia nesse idioma.

https://ast.wikipedia.org/wiki/Portada

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