O escritor uruguaio Horacio Quiroga (1879-1937) foi comparado a Poe. publicado na revista Babel de Buenos Aires, em julho de 1927 estas dicas.

- Acredite em um mestre, como Edgar Allan Poe, Guy de Maupassant, Rudyard Kipling ou Anton Tchekhov, da mesma forma que se acredita em Deus.
- Acredite que sua arte é um topo inacessível. Não sonhe em domesticá-la. Quando isso for possível, você conseguirá sem perceber.
- Resista à imitação o máximo que puder, embora a influência forte às vezes imponha esse caminho. Mais do que qualquer outra coisa, o desenvolvimento da personalidade exige longa paciência.
- Tenha fé cega, menos em sua capacidade de alcançar o sucesso do que no ardor com que o deseja. Ame sua arte como se ama uma namorada, entregando a ela todo o coração.
- Não comece a escrever sem saber, desde a primeira palavra, para onde está indo. Em um conto bem-sucedido, as três primeiras linhas são quase tão importantes quanto as três últimas.
- Se queres exprimir exatamente esta circunstância: “Do rio soprava o vento frio”, nenhuma outra combinação de palavras na linguagem humana será capaz de exprimi-la com a mesma precisão. Depois de encontrar suas palavras, não se preocupe em observar se elas são consoantes ou assonantes entre si.
- Não use adjetivos desnecessários. Inútil será a quantidade de caudas coloridas atribuídas a um substantivo fraco. Quando você encontrar a palavra precisa, ela terá cores incomparáveis. Mas essa palavra precisa ser encontrada.
- Pegue seus personagens pela mão e conduza-os com firmeza até o fim, vendo apenas o caminho traçado para eles. Não se distraia com aquilo que eles não podem ou não querem ver. Não abuse do leitor. Um conto é um romance depurado por cortes. Considere isso uma verdade absoluta, ainda que talvez não o seja.
- Não escreva sob o domínio da emoção. Deixe-a morrer e retorne a ela mais tarde. Se você for capaz de revivê-la como era, terá alcançado metade do caminho na arte.
- Não pense em seus amigos enquanto escreve, nem na impressão que sua história causará. Conte-a como se ela interessasse apenas ao pequeno ambiente de seus personagens, do qual você mesmo poderia fazer parte. Só assim a vida da história surgirá.

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