Sugestão da Carla
Ainda no tema da antropologia da moda e dos adereços, a maquiagem é uma das formas mais interessantes de transformações corporais. Não tão permanente quanto a tatuagem e a escarificação, serve para indicar status, humor (há sociedades que possuem maquiagens para luto), disponibilidade ou interesse sexual, ou simplesmente, para embelezamento.
A maquiagem deixa de ser um mero artifício cosmético para se tornar um sistema de símbolos que comunica status, moralidade e identidade: no Antigo Egito, ela simbolizava autonomia e sofisticação química; na era Vitoriana, a ausência de cor funcionava como um signo de pureza moral em oposição à “vulgaridade”; e, na Veneza do século XVI, o uso de pigmentos tóxicos era um rito de distinção aristocrática. Assim, a evolução das faces pintadas demonstra como a cultura interpreta o corpo humano, transformando a aparência em um código que reflete as tensões entre o sagrado e o profano, o público e o privado, e a autoridade e a emancipação.

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Atualizado em 15 de março de 2026.
Leonardo Marcondes Alves é pesquisador multidisciplinar.
Como citar esse texto no formato ABNT:
- Citação com autor incluído no texto: Alves (2015)
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Na referência:
ALVES, Leonardo Marcondes. História da Maquiagem. Ensaios e Notas, 2015. Disponível em: https://ensaiosenotas.com/2015/10/15/historia-da-maquiagem/. Acesso em: 15 mar. 2026.
