A ordem das palavras nas línguas não é aleatória. A sintaxe segue padrões moldados pela combinação de restrições cognitivas, eficiência comunicativa e evolução histórica.
Existem seis maneiras logicamente possíveis de organizar o sujeito (S), o verbo (V) e o objeto (O) numa frase, mas elas não ocorrem com a mesma frequência. As ordens SOV e SVO juntas respondem por mais de 85% das línguas do mundo. Ordens como OSV e OVS, por outro lado, são extremamente raras.
Os linguistas evitam afirmar que uma ordem é melhor que outra. Existem, porém, várias teorias que buscam explicar por que certos padrões se tornam mais frequentes que outros. Uma delas trata da eficiência cognitiva e de processamento. Na maioria das línguas, o sujeito, isto é, o agente, precede o objeto, o paciente. Esse padrão está ligado à tendência cognitiva de identificar quem fez o quê antes de identificar o alvo da ação.
A teoria do canal ruidoso propõe que a comunicação falada funciona como um canal onde informações se perdem com facilidade. Colocar o sujeito e o verbo no início da frase, como acontece em SVO, esclarece o evento com rapidez e reduz a ambiguidade em frases complexas ou reversíveis, aquelas em que tanto uma pessoa quanto outra poderiam ocupar a posição de sujeito ou de objeto.
Nas línguas SOV, como o japonês e o hindi, o ouvinte precisa manter o sujeito e o objeto na memória até que o verbo, motor da frase, seja finalmente revelado. Essa exigência de memória é maior. Ainda assim, ela cria um ritmo particular, conhecido como ramificação à esquerda, que se mostra eficiente para certos tipos de processamento.
O foco comunicativo explica outro grupo de casos. Línguas que utilizam a ordem VSO, como o irlandês, o hebraico bíblico e algumas línguas polinésias, colocam o verbo no início da frase para destacar a ação. Esse traço aparece com frequência em culturas de forte tradição oral, nas quais o evento narrado é o elemento central a ser apresentado primeiro.
O léxico também desempenha um papel nessa distribuição. Algumas teorias sugerem que, quando seres humanos se comunicam por gestos improvisados, a ordem SOV tende a predominar. À medida que uma língua desenvolve um vocabulário estável e compartilhado, torna-se mais fácil empregar uma sintaxe complexa. Esse processo costuma levar a uma mudança em direção à ordem SVO, forma eficiente de expressar relações gramaticais.
A ordem VSO é menos comum, em comparação a SOV e SVO. Um achado importante da linguística, os Universais de Greenberg, mostra que muitas línguas VSO não seguem essa ordem de forma estrita. Elas tratam a ordem SVO como uma alternativa aceitável e, em alguns casos, até preferida. A estrutura VSO exige mais esforço para separar sujeito e objeto. Por isso, ela costuma aparecer em línguas que possuem marcadores gramaticais específicos, como sistemas de caso, capazes de permitir ao ouvinte distinguir sujeito de objeto mesmo quando eles não ocupam suas posições padrão.
Há ainda nuances importantes a considerar. Muitas línguas não têm uma ordem rígida de palavras. Em línguas como o russo e o latim, a ordem pode variar por motivos de ênfase, topicalização ou estilo. Essas línguas costumam ser classificadas por sua ordem mais neutra, embora seus falantes utilizem outras permutações com frequência.
As línguas também mudam ao longo do tempo. Muitas línguas hoje classificadas como SVO podem ter sido SOV no passado, e o inverso também ocorre. A ordem das palavras se desloca ao longo dos séculos, à medida que partículas ou casos gramaticais são perdidos ou adquiridos.
Algumas línguas, como o alemão, escapam à dicotomia entre SVO e SOV. Elas seguem a regra do verbo em segunda posição, segundo a qual o verbo deve ocupar o segundo lugar na oração principal, seja o primeiro elemento o sujeito, seja um advérbio.
A ordem das palavras resulta, assim, de um equilíbrio. De um lado está a necessidade do cérebro humano por uma estrutura previsível, que permite processar informações com rapidez. De outro está a necessidade da língua por flexibilidade comunicativa, que permite enfatizar o que importa em cada contexto.

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