Lovecraft: como escrever um conto

O mestre do horror norte-americano H.P. Lovecraft (1890–1937) deixou algumas dicas explicando seu processo escrever contos. O autor do Mitos de Cthulhu preferia escrever com esmero textos breves: contos, ensaios e poesia. Sem contar obras como ghostwriter ou pseudonímia — muitos ainda disputados ou a serem descobertos — sua bibliografia canônica conta com mais 60 textos em prosa de ficção. Ainda colecinonava sinopses — loci communes— com ideias para novas histórias. Desse modo, refinou tanto seu processo criativo tanto como sua técnicas de revisão.

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  1. Sinopse dos eventos: prepare uma sinopse ou cenário de eventos na ordem de sua absoluta ocorrência, não a ordem de sua narração. Descreva com bastante completude de modo que cubra todos os pontos vitais e explique todos os incidentes planejados. Detalhes, comentários e consequências estimadas são frequentemente desejáveis neste quadro temporário.
  2. Sinopse narrativa: prepare uma segunda sinopse ou cenário. Desta vez, na ordem da narração (não na da ocorrência real), com ampla plenitude e detalhe, e com notas sobre mudanças de perspectiva, tensões e clímax. Altere a sinopse original se tal mudança aumente a força dramática ou a eficácia geral da narrativa. Interponha ou exclua incidentes à vontade — nunca se limite pela concepção original, mesmo que o resultado final seja um conto totalmente diferente daquele planejado inicialmente. Deixe adições e alterações serem feitas sempre que sugeridas por qualquer coisa durante o processo de formulação.
  3. Escreva a história: de modo rápido, fluente e sem muita crítica — seguindo a segunda sinopse da ordem narrativa. Altere incidentes e enredo sempre que o processo de composição parecer sugerir essa mudança, não se vinculando por qualquer projeto anterior. Se o desenvolvimento, de repente, revelar novas oportunidades para efeito dramático ou narrativas vívidas, adicione o que seja considerado vantajoso — retroceda e reconcilie as partes iniciais com o novo plano. Insera e exclua seções inteiras, se necessário ou desejável, tentando diferentes começos e finais até que o melhor arranjo é encontrado. Mas se certifique de que todas as referências ao longo da história sejam totalmente reconciliadas com o projeto final. Remova todas as superfluidades possíveis — palavras, frases, parágrafos ou episódios inteiros — observando as precauções usuais sobre a remissão de todas as referências.
  4. Revise o texto inteiro: prestando atenção ao vocabulário, sintaxe, ritmo da prosa, dosagem de partes, sutilezas de tom, graça e convencimento ou transições (cena a cena, ação lenta e detalhada para ação rápida e superficial de cobertura de tempo e vice-versa, etc., etc., etc.), eficácia do começo, fim, clímax, etc., suspense e interesse dramáticos, plausibilidade e atmosfera, além de vários outros elementos.
  5. Prepare uma cópia digitada: não hesitando em adicionar os toques finais de revisão onde eles aparecerem necessários.

Saiba mais:

Notes on Writing Weird Fiction – ensaio completo e original em inglês.

George Orwell: motivos para se escrever

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