Sidney Hook: A ética da controvérsia

As regras básicas para se debater algo controverso em uma democracia:

  1. Nada ou ninguém estão imunes à crítica.
  2. Todos os envolvidos em controvérsias têm a responsabilidade intelectual de informar-se acerca dos fatos disponíveis.
  3. A crítica deve ser dirigida primeiramente às políticas públicas; depois contra as pessoas somente quando são as responsáveis ​​por tais políticas públicas; e contra seus motivos ou propósitos somente quando há alguma evidência independente seu caráter.
  4. Ainda que certas palavras sejam legalmente permissíveis; elas não são, entretanto, moralmente permissíveis.
  5. Antes de impugnar os motivos do oponente, mesmo quando legitimamente devam ser impugnados, responda aos seus argumentos.
  6. Não trate um opositor de uma política pública como se ele fosse um inimigo pessoal, um inimigo do país ou um inimigo oculto da democracia.
  7. Já que uma boa causa pode ser defendida por argumentos ruins, depois de responder os argumentos ruins da outra parte, então apresente evidência de sua própria posição.
  8. Não hesite em admitir a falta de conhecimento ou suspender a emissão de um juízo se a evidência não for decisiva a nenhum dos lados.
  9. Somente na lógica pura e na matemática, não em assuntos humanos, alguém pode demonstrar que algo é estritamente impossível. Considerando que algo é logicalmente possível, não é [necessariamente] — portanto — provável. “Não é impossível” é um prefácio a uma declaração irrelevante sobre os assuntos humanos. A questão é sempre uma que deva ponderar as probabilidades. E as evidências para as probabilidades devem incluir mais que possibilidades concretas.
  10. O pecado capital, quando buscando pela verdade de um fato ou a sabedoria em uma política pública, é a recusa em discutir ou o ato que impeça a discussão.

HOOK, Sidney. “The Ethics of Controversy”. Em The New Leader Digital Archive. Vol. 37, N.5, February 1954. http://search.opinionarchives.com/Summary/TNL/V37I5P12-1.htm

Sidney Hook

Sidney Hook (1902 – 1989) foi um filósofo e educador norte-americano.  Prominente intelectual público neoconservador e anticomunista, ainda assim tentava conciliar marxismo com o pragmatismo. O comportamento antitético não para aí: apesar desses “dez mandamentos” dos debates em uma democracia, na época condenava o marcathismo, mas aceitava a expulsão de acadêmicos comunistas das universidades. Como visto, de controvérsias entendia bem. No entanto, seus argumentos sobre uma ética de debate permanecem mais que bem-vindos.

 

 

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Um decálogo liberal de Bertrand Russell.

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